Duas pesquisas divulgadas neste sábado (3), véspera do 1º turno, dão leituras diferentes da disputa pelo governo de Pernambuco entre Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB). A Quaest mostra Lyra com 52% dos votos válidos, Campos com 47%.

Já o Datafolha mostra 49% a 48%, o que a Folha classifica como empate técnico.

As duas pesquisas têm a mesma margem de erro, de 2 pontos percentuais, e o mesmo período de coleta, entre os dias 2 e 3 de outubro. A diferença de leitura nasce de detalhes da metodologia que raramente aparecem na manchete.

O que explica a diferença entre os números

A Quaest ouviu 2.652 eleitores, encomendada pela Globo, registrada no TSE sob o número PE-09665/2026. O Datafolha ouviu 1.650 eleitores, contratado pela Folha e pela própria Globo, registrado sob o número PE-02404/2026.

Amostras de tamanhos diferentes, de institutos diferentes, captam variações normais dentro da margem de erro. A vantagem de Lyra no Datafolha, de 1 ponto, é menor que a margem de erro — por isso a Folha chama o cenário de empate técnico.

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Já a vantagem na Quaest, de 5 pontos, ultrapassa a margem, o que permite ao instituto apontar liderança.

Nos votos totais, que somam indecisos e votos brancos ou nulos, as duas pesquisas se aproximam: a Quaest mostra Lyra com 47% e Campos com 43%; o Datafolha mostra 46% a 45%.

Como a disputa chegou até aqui

A corrida em Pernambuco vem de um cenário de alternância nas pesquisas ao longo do ano. No primeiro semestre, João Campos liderava os levantamentos.

Raquel assumiu a dianteira na pesquisa Datafolha de 31 de julho. Desde então, as rodadas têm oscilado entre vantagem dela e empates técnicos sucessivos.

Raquel adotou neutralidade na eleição presidencial, buscando votos tanto entre aliados de Lula quanto entre apoiadores de Flávio Bolsonaro. Campos tem no presidente Lula seu principal cabo eleitoral no estado.

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Mais cedo nesta reta final, uma rodada da própria Quaest, feita cinco dias antes da eleição, já mostrava a disputa apertada entre os dois.

O ponto em aberto

Nenhuma das duas pesquisas aponta um candidato acima de 50% dos votos válidos, patamar necessário para vencer já no 1º turno.

Isso deixa em aberto se Pernambuco vai ou não ao 2º turno, cenário que o estado pode enfrentar pela primeira vez desde que Lyra e Campos disputam o governo.