Um vídeo divulgado neste sábado (3) pela revista Piauí mostra o senador Ciro Nogueira (PP-PI) dançando com o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, numa festa na estação de esqui de Courchevel, nos Alpes franceses, em janeiro de 2025.
Os dois aparecem acompanhados das então namoradas, Flávia Rosalen e Martha Graeff. Em um dos registros, os quatro dançam e apontam para a câmera; em outro, Ciro percebe que está sendo filmado.
Segundo a Piauí, a viagem custou cerca de R$ 2 milhões, pagos por Vorcaro. Ciro e Flávia ficaram 13 dias em Courchevel, em hotel de alto padrão, com contas de R$ 63 mil e R$ 58 mil.
Documentos da Polícia Federal apontam ainda R$ 122 mil gastos em restaurantes de luxo durante a viagem, e mensagens em que Vorcaro chama Ciro de um dos seus 'grandes amigos de vida'.
Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas, foi alvo de busca e apreensão da PF em 7 de maio, na operação Compliance Zero, que apura suspeitas de crimes ligados ao Banco Master. Foi a primeira vez que a investigação chegou ao núcleo político do caso.
O vídeo é mais uma peça num quadro que vem sendo montado há meses. Em setembro, a PF já havia encontrado uma lista associando nomes a deputados na casa do senador.
Diálogos interceptados indicam repasses mensais de R$ 300 mil a R$ 500 mil a Ciro, segundo a investigação. Mas a própria apuração registra que um suposto pagamento de R$ 350 mil em espécie não teve comprovação de entrega.
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Procurada pelo Poder360, a assessoria de Ciro não respondeu sobre o vídeo até a publicação desta reportagem. Em nota anterior, a defesa do senador repudiou 'qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar'.
A relação entre os dois também é investigada pelo STF, que busca esclarecer se o senador recebeu recursos ou vantagens de Vorcaro para atuar a favor dos interesses do banqueiro no Congresso.
O episódio soma-se ao que já é o maior rombo bancário da história do país, segundo levantamento sobre o caso.
Ciro Nogueira disputa a reeleição ao Senado pelo Piauí neste domingo (4), numa campanha em que tem evitado atacar o presidente Lula, segundo reportagem publicada em setembro.
O que falta provar no caso
A investigação já documenta a viagem paga por Vorcaro e o padrão de proximidade entre os dois. O que ainda não está comprovado é se esse dinheiro comprou atuação política.
A própria apuração registra que não há prova de entrega do suposto pagamento de R$ 350 mil em espécie citado nas mensagens. É essa distância entre o documentado e o alegado que vai decidir se o caso vira denúncia formal.





























