Um laudo complementar do Instituto de Criminalística manteve a conclusão de que a soldado da PM Gisele Alves Santana, 32, não poderia ter atirado na própria cabeça. O documento aponta a participação de uma segunda pessoa na morte, apurada como feminicídio.
O tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, marido de Gisele, é réu por feminicídio e fraude processual. Ele está preso desde 18 de março no Presídio Militar Romão Gomes. Nega o crime e diz que a esposa cometeu suicídio.
O novo laudo, assinado pela perita criminal Amanda Rodrigues Marinone em 29 de setembro, respondeu a questionamentos técnicos feitos pelo assistente da defesa. Segundo o documento, as conclusões anteriores seguem "compatíveis com os elementos objetivos examinados".
O que o laudo aponta
O laudo aponta três elementos técnicos que contradizem a versão do réu: a posição do sangue sobre o busto da soldado, a altura do guarda-roupa de onde ele diz ter pego a arma e a impossibilidade de ver, do banheiro, para onde caiu o corpo.
A perícia frisa que a conclusão não depende de interpretação pessoal, pois pode ser repetida por qualquer outro perito. A defesa da família de Gisele afirma que "o feminicídio é patente" e que não têm "nenhuma dúvida" de que o tenente-coronel cometeu o crime.
Não é o único caso recente. Perícia também contrariou a versão de suicídio dada por outro PM suspeito de matar a esposa em Embu das Artes, no interior de São Paulo.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o estado teve recorde de feminicídios no primeiro semestre de 2026.
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Gisele foi socorrida com um disparo na cabeça em 18 de fevereiro, no apartamento do casal no Brás, região central de São Paulo, e não resistiu.
Os dois estavam sozinhos no imóvel.
O que acontece agora
O interrogatório do tenente-coronel, adiado três vezes, está remarcado para esta segunda-feira (5). Ele já foi pronunciado pelo crime e vai a júri, sem data marcada, e responde a um processo administrativo que pode expulsá-lo da corporação.































