A imprensa internacional amplia a cobertura da eleição presidencial deste domingo (4) no Brasil, véspera do 1º turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. Washington Post, Reuters, AP, Guardian, El País e EFE publicaram análises sobre o papel de Donald Trump na disputa.

O Washington Post chamou a votação deste domingo de "o maior teste da tentativa de Trump de reafirmar o domínio dos Estados Unidos na região". O britânico The Guardian descreveu o pleito como teste para o bloco latino-americano pró-Trump.

O espanhol El País definiu a disputa como uma eleição decidida "sob a sombra de Trump e de sua ofensiva para impulsionar governos conservadores". A agência EFE chamou o domingo de "última batalha da guinada à direita na América Latina impulsionada por Trump".

A Associated Press relacionou a disputa a mudanças políticas na região e citou as visões opostas dos dois candidatos sobre como combater o crime organizado. A agência lembrou que Trump incluiu o PCC e o Comando Vermelho na lista antiterror dos Estados Unidos.

Trump evitou declarar apoio formal a Flávio Bolsonaro.

Mas elogiou o processo eleitoral brasileiro nesta semana, episódio que já havia sido questionado por parlamentares democratas dos Estados Unidos, que cobraram neutralidade do presidente americano.

O que pesa na decisão de quem vence

A Reuters destaca, em texto de sexta-feira (2), que o próximo presidente herdará um número excepcionalmente grande de nomeações ao Supremo Tribunal Federal, ao Banco Central e a órgãos reguladores. A escolha dos novos ministros do STF já é tema de campanha.

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Lula chegou a propor mudanças na forma de indicar ministros da Corte.

Pesquisas divulgadas nas últimas semanas mostravam disputa cada vez mais acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Analistas ouvidos pela BBC News Brasil já chamavam a disputa de teste da chamada "onda laranja" de líderes alinhados a Trump na região.

O Itamaraty também amplia a presença internacional no processo. Observadores do Centro Carter, dos Estados Unidos, e da União Europeia acompanham a votação deste domingo a convite da Justiça Eleitoral, segundo o colunista Josias de Souza, do UOL.

A Polícia Federal apura alertas de governos estrangeiros sobre possíveis ameaças a embaixadas e consulados no Brasil. Até sábado (3), a corporação não havia encontrado indício fora da normalidade, segundo Josias de Souza.

O que acontece agora

As urnas abrem às 8h e fecham às 17h neste domingo (4). Se nenhum candidato alcançar maioria dos votos válidos, o 2º turno acontece em 25 de outubro, segundo o calendário do Tribunal Superior Eleitoral.