A União Europeia vai parar de comprar carne bovina, frango, peixe e mel do Brasil a partir de 3 de setembro, quando entra em vigor o veto sanitário do bloco. Pecuaristas estimam que a Europa só volte a importar carne brasileira daqui a cerca de dois anos, prazo ligado ao ciclo de vida do boi.
O veto foi oficializado pela Comissão Europeia em 5 de junho, publicado no Diário Oficial da UE. A Comissão excluiu o Brasil da lista de países autorizados a exportar para o bloco por considerar insuficiente a comprovação de controle sobre o uso de medicamentos antimicrobianos na pecuária — entre eles virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina. Segundo a Comissão, o problema é de rastreabilidade e certificação documental, não de contaminação identificada nos produtos.
Por que a UE vetou a carne brasileira?
O motivo, segundo a Comissão Europeia, não é sanitário no sentido de risco ao consumidor, mas de comprovação documental: o Brasil não demonstrou de forma satisfatória que seus produtores atendem às regras europeias de controle de antimicrobianos na cadeia pecuária. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) rebateu, afirmando que o país tem "dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo". Já a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) disse que o veto "não decorre de qualquer questionamento sanitário" nem de não conformidade identificada nos produtos.
O que muda para o produtor brasileiro?
Em 2025, a UE importou 128,9 mil toneladas de carne bovina brasileira, no valor de US$ 1,06 bilhão — alta de 132,8% frente a 2024, a maior expansão percentual entre os principais destinos do Brasil naquele ano. Com o veto, essa fatia do mercado fica fechada por um período estimado em dois anos, e o setor deve intensificar a busca por outros compradores enquanto o Brasil tenta ampliar restrições legais aos antimicrobianos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para pedir reinclusão na lista europeia.














