O avanço do sarampo em São Paulo colocou serviços de saúde de outros estados em alerta. O estado chegou a 15 casos confirmados em 2026, segundo balanço divulgado em 31 de julho, concentrados em três municípios: a capital, Guarulhos e São Bernardo do Campo.

Em balanço anterior, de 30 de julho, o Ministério da Saúde contabilizava 17 casos confirmados no país — três já encerrados e 14 em acompanhamento —, sendo 14 deles em São Paulo: 11 na capital, dois em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos.

A brecha está na segunda dose

O que preocupa as autoridades sanitárias não é apenas o número de casos, mas o terreno que a doença encontra. Os dados preliminares de 2026 apontam cobertura vacinal de 77,5% na primeira dose e de apenas 65,5% na segunda — muito distante da meta de 95% recomendada para cada uma delas. Em 2025, a cobertura nacional da tríplice viral havia fechado em 92,9% na primeira dose e 78,3% na segunda.

Para conter a transmissão, o Ministério da Saúde ampliou a recomendação de vacinação nos três municípios do surto: qualquer pessoa de 6 meses a 59 anos que more ou trabalhe em São Paulo, Guarulhos ou São Bernardo do Campo deve se vacinar, mesmo quem já completou o esquema com duas doses. A estratégia inclui a chamada dose zero para crianças de 6 a 11 meses e vale de 3 de agosto a 1º de setembro.

A Campanha de Multivacinação começa nesta segunda-feira (3) e se estende até 1º de setembro em 645 municípios paulistas. "A atualização da caderneta é fundamental para proteger crianças e adolescentes contra doenças imunopreveníveis. Diante do cenário do sarampo, a estratégia ampliada nos três municípios busca aumentar rapidamente a proteção da população e reduzir o risco de transmissão", afirmou Tatiana Lang, da secretaria estadual de Saúde.

Alerta já cruzou a fronteira de São Paulo

Outras capitais se anteciparam. Ainda em 3 de julho, quando o país somava oito casos confirmados no ano, a Diretoria de Vigilância em Saúde de Porto Alegre publicou nota informativa e alerta epidemiológico à rede municipal. A orientação foi observar com atenção pacientes com histórico de viagem recente ao Sudeste ou ao exterior — em especial aos países-sede da Copa do Mundo, México, Estados Unidos e Canadá — e orientar a busca imediata por atendimento médico diante de sintomas compatíveis.

Na capital gaúcha, a cobertura da tríplice viral em 2025 ficou em 91% na primeira dose e 77% na segunda. "É fundamental manter a caderneta de vacinação atualizada", afirmou Renata Capponi, chefe da Equipe de Imunizações do município.

Entre os sinais de alerta listados pela vigilância estão febre, manchas vermelhas no corpo, tosse, coriza e conjuntivite. A orientação das autoridades de saúde é procurar atendimento diante desses sintomas e checar a caderneta de vacinação.