O recesso parlamentar acabou em 31 de julho, mas quem esperava ver o Congresso Nacional votando já nesta semana vai esperar mais. O retorno efetivo às votações ficou marcado para 10 de agosto, quando começa a primeira das duas semanas de esforço concentrado combinadas para o período.

O calendário nasceu de um acordo entre Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado e do Congresso Nacional, e Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara dos Deputados. As semanas de trabalho concentrado vão de 10 a 14 de agosto e de 31 de agosto a 3 de setembro, com as votações de plenário das duas Casas alinhadas para correr ao mesmo tempo.

"O calendário é exatamente o mesmo que será adotado pela Câmara dos Deputados, permitindo que o Congresso Nacional funcione em plenitude e de modo eficiente e harmônico", afirmou Alcolumbre ao anunciar o formato. O pano de fundo é a eleição: o primeiro turno está marcado para 4 de outubro.

Semana esvaziada na Câmara

O efeito prático já aparece na agenda oficial. Até a manhã deste domingo (2), a programação de eventos da Câmara dos Deputados para a semana de 3 a 9 de agosto reunia oito compromissos e nenhuma sessão deliberativa do plenário: três sessões solenes, duas audiências públicas, dois seminários e um evento técnico. A primeira reunião deliberativa registrada na agenda aparece só em 12 de agosto, já dentro do esforço concentrado.

A fila de 87 vetos

A conta que espera os parlamentares é grande. Pelo menos 87 vetos presidenciais trancam a pauta do Congresso — de um total de 97 em tramitação. Entre eles estão o veto a 44 trechos da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026, dos quais quatro já foram derrubados, e o veto a dois dispositivos da Lei Orçamentária Anual que envolvem cerca de R$ 400 milhões.

A lista também inclui 46 trechos vetados da reforma tributária, com dez ainda a analisar, 340 dispositivos pendentes da Lei Geral do Esporte e 41 do Estatuto do Pantanal.

O acúmulo tem explicação: a última sessão conjunta do Congresso para analisar vetos foi em maio, e a que estava marcada para 18 de junho foi cancelada por falta de acordo entre as lideranças. "Sessão do Congresso Nacional para apreciação de vetos é sempre uma sessão de acordos", resumiu o senador Randolfe Rodrigues, líder do governo.