O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendeu, em entrevista ao programa Canal Livre, da Rede Bandeirantes, exibida no último domingo (2), uma regra fiscal com gatilho automático para cortar gastos quando a dívida pública em relação ao PIB atingir um patamar determinado. Ele não informou qual seria esse nível.

Bolsonaro classificou como "gastador e irresponsável" um governo que chega a uma dívida de 81% do PIB. Hoje, segundo o Banco Central, a dívida bruta do setor público está em 81,9% do PIB, o maior nível em mais de cinco anos. Para o senador, o problema chega ao consumidor "na prateleira do supermercado", por meio da inflação.

Como ele pretende cortar gastos?

Na entrevista, o senador disse que é possível enxugar a máquina pública sem mexer em programas sociais: "Temos 39 ministérios, podemos enxugar os ministérios", afirmou, defendendo ainda o combate à corrupção como forma de reduzir despesas e o uso de inteligência artificial na gestão do governo. Ele disse que pretende manter o Bolsa Família e prometeu uma reforma da Previdência sem congelar aposentadorias.

Quem é a economista por trás do corte de 1,5% do PIB?

Um ajuste fiscal mais detalhado vem sendo defendido por Daniella Marques, conselheira econômica de Flávio Bolsonaro, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e cotada para vice na chapa do senador. Em julho, ela propôs uma redução de despesas equivalente a 1,5% do PIB para recuperar a confiança dos investidores, além da securitização da dívida ativa da União — hoje estimada por ela em R$ 3 trilhões —, que poderia gerar entre R$ 150 bilhões e R$ 250 bilhões para abater o endividamento público.