O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu nesta quarta-feira (16), no Palácio do Planalto, pastores evangélicos dos Estados Unidos e do Brasil, a 19 dias da eleição presidencial. No encontro, reforçou o recado que diz já ter dado ao americano Donald Trump para não interferir na disputa brasileira.
"Eu já disse inclusive ao meu amigo Trump: não se meta nas eleições brasileiras", contou Lula. "E não duvide da urna brasileira", completou.
O encontro reuniu cerca de 28 pessoas, entre pastores brasileiros, americanos e ministros do governo, e contou com a presença da primeira-dama, Janja Lula da Silva. A aproximação busca reduzir a desvantagem de Lula entre eleitores evangélicos, mais favoráveis ao pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL).
Lula disse que recusa fazer campanha dentro de igrejas, católicas ou evangélicas. "Toda vez que pedem para ir a uma igreja falar de política, eu não vou", afirmou, completando: "Não vou nem da católica, nem da evangélica, porque eu respeito a fé das pessoas".
Por que Lula corteja o voto evangélico
A reprovação de Lula subiu até no Nordeste, sua base histórica, segundo pesquisa Quaest divulgada em setembro. O esforço de cortejar pastores mostra o peso que a campanha atribui ao voto religioso a menos de três semanas da votação.
No mesmo encontro, Lula criticou guerras em curso no mundo e disse que vai levar a defesa da paz à Organização das Nações Unidas (ONU), segundo o G1. O presidente evitou citar Trump diretamente ao tratar do tema.
Também nesta quarta, o pré-candidato Flávio Bolsonaro reagiu à crise no Judiciário para atacar o governo, disputa paralela que já rendeu acusações cruzadas entre os dois nos últimos dias.
Do outro lado da disputa, Flávio Bolsonaro também busca se aproximar de lideranças evangélicas. O deputado Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara e pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, ajuda a articular esses contatos.
O pré-candidato já recebeu bênção pública de um bispo da Assembleia de Deus, mas enfrenta resistência entre outras lideranças evangélicas, segundo apuração da Agência Pública.
O recado a Trump também tem pano de fundo econômico. Washington impôs, em 2026, tarifas adicionais a produtos brasileiros citando o tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o que azedou a relação entre os dois governos meses antes deste encontro.
O que acontece agora
A eleição presidencial ocorre em outubro, com Lula concorrendo à reeleição contra Flávio Bolsonaro e outros pré-candidatos ainda na disputa. Até lá, a corrida pelo eleitorado evangélico deve seguir como uma das frentes mais visíveis da campanha, dos dois lados.



























