A três semanas do primeiro turno de 2022, o instituto Quaest media Lula com 42% e Bolsonaro com 34%, vantagem de 8 pontos. No mesmo ponto da campanha de 2026, o Quaest mede Lula com 36% e Flávio Bolsonaro com 31%, distância de 5 pontos, dentro da margem de erro de 2 pontos.

No cenário de segundo turno, a diferença desapareceu. Em 2022, Lula tinha 48% contra 40% de Bolsonaro. Em 2026, o Quaest mostra Flávio com 42% e Lula com 40%, empate técnico dentro da margem de erro.

O Datafolha mostrava distância ainda maior em 2022: 45% para Lula contra 33% de Bolsonaro, 12 pontos. O resultado real do primeiro turno, porém, foi mais apertado: Lula venceu por 48,43% a 43,20%, diferença de 5,23 pontos, abaixo do que as pesquisas indicavam três semanas antes.

A aprovação do governo Lula também está mais baixa que em outros momentos do mandato. Pesquisa Genial/Quaest de janeiro de 2026 mostrava 49% de desaprovação contra 47% de aprovação. Analistas apontam a inflação alta e a dificuldade de Lula em montar uma base sólida no Congresso como fatores de pressão sobre a avaliação do governo.

Do outro lado, Flávio Bolsonaro (senador pelo Rio de Janeiro e filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso) entrou na disputa com o apoio declarado do pai. Ele apresentou o plano de revogar mil normas e impostos criados na gestão de Haddad na Fazenda.

Análises de mercado e institutos de pesquisa convergem numa leitura: o crescimento de Flávio nas pesquisas é puxado mais pelo desgaste do governo do que por entusiasmo com a candidatura. Tanto Lula quanto Flávio têm índices de rejeição altos, o que sugere um voto que reage mais contra um nome do que a favor do outro.

A disputa já tem embate direto: o presidente do PT, Edinho Silva, atacou Flávio e disse que ele quer 'acabar com o Pix', um dos alvos do plano de desregulamentação.

O eleitor, porém, tem cada vez menos ocasiões de ver os dois lado a lado: os debates presidenciais estão sumindo do calendário desta campanha.

O que a distância menor não responde

Ir de 8 para 5 pontos de vantagem, com empate técnico no segundo turno, mostra uma disputa mais fechada do que a de 2022 neste mesmo ponto do calendário. Não mostra, porém, quem vence: a margem de erro, o histórico de pesquisas que se moveram nas últimas semanas e a rejeição alta dos dois principais nomes tornam a distância até outubro uma incógnita.