A coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, apresentou nesta segunda-feira (14), em São Paulo, o plano econômico do candidato à Presidência: revogar mais de mil normas infralegais e reverter os impostos criados ou elevados pelo ministro Fernando Haddad desde 2023, com o governo de Javier Milei na Argentina como principal referência.

"Já temos mais de mil normas mapeadas para revogar", disse Daniella Marques, citando obrigações acessórias e burocracias infralegais. Sobre a Argentina, completou: "o Milei é um ótimo exemplo em termos de voltar a ter capacidade de investimento".

Quais impostos de Haddad seriam revogados

A campanha não detalhou quais tributos específicos seriam revogados, mas o governo Lula soma 24 medidas de criação ou aumento de impostos desde 2023, uma a cada 37 dias em média, segundo levantamento da Exame e da CNN.

Entre elas estão a retenção de 10% na fonte sobre dividendos acima de R$ 50 mil por mês, o novo Imposto de Renda mínimo para quem ganha mais de R$ 600 mil por ano e a taxação crescente de carros elétricos importados.

O governo também elevou o IOF sobre seguros e operações cambiais em 2025. Parte da alíquota foi revertida meses depois.

O que aconteceu na Argentina de Milei

Milei assumiu a Argentina em dezembro de 2023 prometendo o mesmo tipo de ajuste que Daniella Marques cita como inspiração para o plano de Flávio: corte de gastos, desregulamentação e redução do tamanho do Estado. Os resultados dividem opinião.

Entre o segundo semestre de 2023 e o primeiro semestre de 2024, a pobreza urbana argentina subiu de 41,7% para 52,9% da população, e a indigência chegou a 18,1%. O PIB do país caiu 1,3% em 2024, segundo dado consolidado do FMI.

Para defensores do modelo, os números refletem o custo temporário de uma estabilização necessária. Para críticos, mostram que o ajuste recaiu sobre trabalhadores e aposentados, com menos proteção trabalhista e mais pressão sobre pensões.

O que o plano ainda não diz

A campanha de Flávio Bolsonaro não informou quais impostos específicos seriam revogados primeiro, nem qual seria o impacto fiscal da medida nas contas públicas. Também não detalhou como pretende compensar a arrecadação perdida caso o ajuste avance no ritmo que a Argentina adotou.