O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no domingo (13) que Rússia e Ucrânia concordaram em não atacar mutuamente alvos de energia. Nesta segunda-feira (14), o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, reagiu com ceticismo e disse que "a Ucrânia não estava convencida de que a Rússia estivesse disposta a cumprir qualquer acordo".
Zelensky pediu garantias de que a Rússia vai parar de atacar usinas, redes elétricas e rotas de alimentos ucranianas.
Em troca, ofereceu suspender os ataques da Ucrânia a alvos na Rússia, incluindo as refinarias de diesel que Trump classificou como causa de escassez global de combustível.
O desfecho da queda de braço importa para o Brasil. Desde março, mais de 50 ataques ucranianos atingiram refinarias e terminais russos, derrubando os desembarques de diesel russo em portos brasileiros em 65% só em junho, na comparação com maio.
O impacto apareceu rápido nas estatísticas de comércio exterior. A fatia da Rússia nas importações brasileiras de diesel caiu de 64% em junho para 17% em julho, enquanto a participação dos Estados Unidos saltou de 36% para 78% no mesmo intervalo.
A guerra também encareceu o produto. Com o afrouxamento das sanções dos EUA à Rússia, a demanda global pelo diesel russo aumentou, e os descontos que o Brasil costumava obter nesse mercado desapareceram.
"A restrição da oferta de diesel da Rússia provoca aumento no preço do produto, mas não representa risco para o abastecimento", disse Sergio Araujo, presidente da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis).
O que acontece agora
Se a trégua proposta por Trump for cumprida, o fluxo de diesel russo para o Brasil tende a se normalizar. Se a Rússia voltar a ser alvo de ataques às refinarias, a dependência do diesel americano, hoje majoritário, deve seguir alta.



























