A OpenAI afirmou ter resolvido a equação de Navier-Stokes, um dos sete "Problemas do Milênio" da matemática, usando um enxame de até 10 mil agentes de inteligência artificial trabalhando ao mesmo tempo na mesma tarefa. O anúncio é de 8 de setembro.

A equação, formulada há dois séculos, descreve o comportamento físico de fluidos como o ar e a água. Ela é um dos problemas selecionados pelo Clay Mathematics Institute em 2000, com prêmio de US$ 1 milhão para quem apresentasse uma prova válida.

Segundo o pesquisador da OpenAI Sebastien Bubeck, o processo começou com mais de mil agentes virtuais trabalhando continuamente por 50 horas, depois escalado para 10 mil. A solução foi verificada com o Lean, linguagem usada para validar provas matemáticas.

A acusação de espionagem

O anúncio gerou acusações de pesquisadores rivais. O matemático Tristan Buckmaster, da Universidade de Nova York, e o pesquisador Levent Alpöge, da Anthropic, dizem que a OpenAI monitorou secretamente os registros de uso que eles próprios faziam do Codex enquanto tentavam resolver a mesma equação.

Buckmaster afirmou ainda que executivos da OpenAI propuseram publicar a descoberta omitindo o nome de Alpöge, por ele estar ligado a uma empresa concorrente. A OpenAI nega as duas acusações.

"Não vimos nada do trabalho deles até que fosse divulgado publicamente", disse Bubeck. Já o matemático Ven Chandrasekaran avaliou que a solução da empresa era "estruturalmente bem diferente" da abordagem dos dois acadêmicos.

O ceticismo da comunidade matemática

O matemático Terence Tao, vencedor da Medalha Fields, criticou o uso de desafios históricos como esse para demonstrar a capacidade de modelos de IA.

Ao New York Times, ele comparou o resultado a um aluno decorado: "Para mim, parece um aluno muito inteligente que decorou tudo para a prova, mas não tem um entendimento profundo do conceito."

Tao alertou também que a IA resolvendo problemas em aberto pode inibir o próprio avanço futuro da matemática como campo de pesquisa, ao "contaminar" um problema como fonte de novas descobertas antes que humanos o explorem por conta própria.

O ponto em aberto

A controvérsia expõe uma pergunta que a matemática ainda não respondeu: que padrão de verificação independente vale para uma prova produzida por milhares de agentes de IA, e não por um único autor que assina o próprio raciocínio.

Enquanto isso não se resolve, a disputa segue no mesmo ritmo acelerado de lançamentos que a OpenAI tem imposto ao setor.

Concorrentes como a Anthropic correm atrás com seus próprios modelos no mesmo ritmo.

É um mercado que já viu o SoftBank bancar mais uma fatia bilionária de aporte na própria OpenAI.