Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad fizeram neste domingo (9) o primeiro debate pelo governo de São Paulo, na Band. Os dois discutiram segurança, economia e ICMS, mas o momento mais tenso veio quando Haddad ligou um contrato de wi-fi da prefeitura a um suposto desvio de dinheiro para o PCC.

O debate reuniu só os dois candidatos mais bem colocados nas pesquisas para o governo paulista. A transmissão foi pela Band, com retransmissão pela TV Cultura, TV Gazeta e Jovem Pan.

Na economia, Tarcísio cobrou o governo federal por desemprego, endividamento das famílias e juros altos. Haddad rebateu citando a menor taxa de desemprego da história do país e um crescimento maior que nos governos Temer e Bolsonaro.

Na segurança pública, Haddad criticou a gestão de Tarcísio e do secretário Guilherme Derrite. Sobre o ICMS, disse que a mudança na cobrança causou perdas aos estados. Tarcísio respondeu que o caso foi judicializado e que a restituição está garantida.

O momento mais citado do debate foi a fala de Haddad sobre um contrato de wi-fi da prefeitura de São Paulo. Segundo ele, o contrato serviu para desviar dinheiro ao PCC de um lado e financiar a produção de um filme sobre Bolsonaro de outro.

Depois do debate, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, cobrou Haddad publicamente pela citação, dizendo que ele usou dados falsos.

"Seja homem e tenha responsabilidade", disse Nunes, segundo o G1.

O contrato citado por Haddad já era investigado antes do debate. A Polícia Civil deflagrou a Operação Wi-Fi em 1º de junho, com mandados contra empresas ligadas à produção do filme sobre Bolsonaro e contra a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia.

Haddad também criticou o apoio de Tarcísio a Donald Trump e questionou o boné usado pelo governador, com frase de efeito trumpista.

"O que um governador tem que fazer é colocar o boné certo", afirmou Haddad.

Tarcísio declarou gratidão a Bolsonaro por ter aberto as portas dele na política. Também criticou a condução econômica do governo federal e comparou o crescimento de São Paulo (0,4%) ao do Brasil (2,3%) no primeiro trimestre de 2026.

O governador também citou uma foto de Haddad ao lado de um traficante. Haddad não confirmou nem negou a imagem.

"Vou lá saber?", respondeu Haddad.