A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União fizeram uma diligência conjunta nesta segunda-feira (10) na sede do Maceió Previdência, o Iprev da capital alagoana. A ação apura R$ 117,9 milhões do fundo aplicados em letras financeiras do Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025.
Segundo o Brasil247, agentes da PF e da CGU recolheram documentos na sede do órgão. O atendimento presencial ficou temporariamente suspenso durante a ação.
A apuração tem origem em uma denúncia registrada em junho, que aponta irregularidades na gestão dos recursos do instituto, incluindo aplicações questionáveis e transferências ligadas à folha de pagamento.
As aplicações foram feitas entre o fim de 2023 e 2024, quando Ronnie Reyner Teixeira Mota presidia o Iprev, na gestão do então prefeito João Henrique Caldas, o JHC.
A primeira aplicação foi de R$ 80 milhões. Novos aportes elevaram o total para os R$ 117,9 milhões hoje sob investigação.
Por que o caso cresceu de tamanho
O patrimônio do fundo saltou de cerca de R$ 400 milhões em 2021 para mais de R$ 1,6 bilhão atualmente, segundo o Alagoas 24 Horas. É nesse crescimento acelerado que órgãos de controle passaram a mirar as aplicações concentradas em um único banco.
O Sinteal, sindicato que representa servidores da Previdência e Assistência Social em Alagoas, entregou um dossiê à Superintendência da PF no estado em junho pedindo investigação criminal e a devolução do dinheiro.
"Desde novembro nós entramos com um pedido ao Tribunal de Contas da União para investigar para onde foram os R$ 117 milhões do Banco Master", disse o presidente da entidade, Izael Ribeiro Gomes. "A transparência é inegociável quando se trata do dinheiro da aposentadoria", completou.
Na esfera judicial, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) move uma ação popular pedindo bloqueio de bens do ex-prefeito JHC, do controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e de outros citados nas aplicações, além do ressarcimento integral do valor.
Em 1º de julho, porém, a Justiça de Alagoas excluiu JHC e o Município de Maceió da ação, por falta de elementos que comprovassem participação ou interferência direta do ex-prefeito nos investimentos do Iprev. A ação segue contra Vorcaro e ex-diretores do instituto.
Em nota à época, a senadora Eudócia Caldas (PSDB-AL), mãe de JHC, disse que "o ex-prefeito JHC deu autonomia ao presidente do Iprev e ao seu Conselho" e que as decisões da gestão anterior foram "algo lícito, algo correto".
O que a prefeitura atual fez até agora
Já a gestão do atual prefeito, Rodrigo Cunha, publicou em julho um decreto que transfere dois imóveis públicos e terrenos ao fundo previdenciário do Iprev, para reforçar o caixa da instituição em meio à repercussão do caso.
O Maceió Previdência, em nota, afirmou que "vem colaborando, desde o início, com as investigações, prestando todos os esclarecimentos e fornecendo as informações solicitadas pelas autoridades competentes".
Questionado em julho pela Folha de Alagoas sobre a colaboração com os órgãos de fiscalização, porém, o instituto respondeu que não tinha assessoria de imprensa para dar explicações.
O que falta para o dinheiro voltar ao Iprev
Com a ação de Renan Calheiros em tramitação contra os réus remanescentes, e a diligência desta segunda apenas no início da coleta de documentos, PF e Justiça não deram prazo para dizer se, e quando, os R$ 117,9 milhões voltam ao fundo.
A prefeitura, enquanto isso, já recorre a imóveis públicos para reforçar o caixa da própria previdência.














