O presidente da Fifa, Gianni Infantino, desistiu do plano de vender a investidores privados uma fatia dos direitos comerciais das competições da entidade, incluindo a Copa do Mundo. O anúncio foi feito na noite de 31 de julho, depois de uma sequência de rejeições das confederações continentais.
"Consequentemente, esta proposta não prosseguirá", escreveu Infantino no comunicado. Segundo ele, o projeto "criou divisões que, independentemente do nível de apoio recebido, já não atendem ao objetivo que motivou sua criação". O dirigente afirmou ainda que o propósito da entidade "sempre foi — e sempre será — unir e fortalecer".
O que estava em jogo
A proposta previa a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária que reuniria as operações comerciais e as principais competições organizadas pela Fifa. A empresa era avaliada em US$ 20 bilhões, e a entidade poderia vender até 20% dela a investidores privados — transação estimada em US$ 4,2 bilhões.
Em troca, o repasse a cada federação filiada subiria de US$ 8 milhões para US$ 20 milhões no ciclo 2027-30, segundo a CNN Brasil. A votação estava marcada para 19 de setembro e exigiria o apoio da maioria das 211 associações-membro.
Uefa anunciou boicote e assessor pediu demissão
A reação foi imediata. Em 30 de julho, a Uefa — que reúne 55 associações europeias — anunciou boicote a todas as competições da Fifa enquanto a proposta seguisse em discussão. "A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento (...) A Copa do Mundo não está à venda", disse a entidade em comunicado.
O boicote alcançaria potencialmente a Copa do Mundo Feminina de 2027, marcada para ser disputada no Brasil entre junho e julho daquele ano. Uefa, Concacaf e AFC somam 143 dos 211 membros da Fifa. A Conmebol, que reúne as federações sul-americanas, também se posicionou contra, enquanto CAF e OFC convocaram reuniões para tratar do tema.
No mesmo dia do recuo, o conselheiro sênior de Infantino, Carlos Cordeiro, ex-presidente da federação de futebol dos Estados Unidos, deixou o cargo. "Como conselheiro sênior do presidente da Fifa, ex-banqueiro e fã de futebol de longa data, não posso ficar de braços cruzados enquanto a Fifa considera vender uma participação na Copa do Mundo", afirmou. Ele argumentou que a entidade arrecadou US$ 15 bilhões no ciclo 2022-2026, tem bilhões em reservas e nenhuma dívida.
Infantino disse que vai se reunir com "todas as partes interessadas" nos próximos dias e semanas. Neste sábado (1º), a Confederação Asiática de Futebol elogiou o recuo, mas cobrou transparência da entidade.














