A médica Gassi Paola de Souza Mazia, de 37 anos, foi encontrada morta a facadas dentro do próprio apartamento em Maringá (PR), na noite deste sábado (5). Horas depois, a Polícia Militar prendeu o marido dela, João Vitor Domingues Romeiro, de 25 anos, ferido, a 32 km dali, em Mandaguari. Segundo a corporação, ele confessou o crime.
O corpo foi encontrado depois que vizinhos acionaram a polícia ao ouvir o choro persistente do filho do casal, um bebê de 8 meses, que estava sozinho no apartamento, ao lado do corpo da mãe. A criança não sofreu ferimentos.
A informação consta de nota da Polícia Militar do Paraná (PM-PR). Romeiro foi localizado no pátio de uma casa em Mandaguari, dentro de um carro, com ferimentos no pescoço, depois que a Central de Comunicações da corporação recebeu aviso sobre um homem ferido na região.
Ele confessou ter matado a esposa ainda durante o atendimento, segundo a PM-PR.
Gassi trabalhava como médica na Unidade Básica de Saúde (UBS) Nova Aliança, no bairro Sarandi, na região metropolitana de Maringá. Ela e o marido mantinham um relacionamento conturbado e haviam reatado recentemente, segundo apuração policial.
Durante o atendimento e o levantamento de informações com testemunhas, o indivíduo teria confessado ter tirado a vida de sua esposa no apartamento onde o casal residia, em Maringá.
O caso é apurado pela Polícia Civil como feminicídio. Romeiro segue preso, mas ainda não foi condenado pela Justiça. "A dinâmica da morte, a motivação e a eventual participação do companheiro ainda deverão ser esclarecidas", diz o boletim repassado à imprensa.
O que diz a investigação
O crime ocorre em meio a um esforço do governo do Paraná contra a violência doméstica. A Secretaria de Segurança Pública (Sesp-PR) registrou queda de quase 40% nos feminicídios em janeiro deste ano, com 8 casos ante 13 no mesmo mês de 2025.
A pasta atribui o resultado a programas como o Mulher Segura, que já reuniu cerca de 224 mil pessoas em palestras sobre igualdade e respeito, e à Patrulha Maria da Penha, unidade da PM-PR dedicada a casos de violência doméstica.
A melhora recente contrasta com o histórico. O Paraná teve salto de 34,6% nos feminicídios em 2024, indo de 81 para 109 casos. No 1º semestre deste ano, o Brasil todo teve redução de 2,5% nos feminicídios, segundo a Agência Gov.
O tema avançou no Judiciário. Em agosto, o STF ampliou por unanimidade a Lei Maria da Penha para alcançar também violência de gênero fora do ambiente doméstico.
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O Brasil já vinha de um recorde. Os feminicídios bateram recorde em 2025, mesmo com mortes violentas no menor nível desde 2012. Uma em cada duas brasileiras diz já ter sofrido violência de parceiro, mas apenas 11% dos homens admitem o comportamento, segundo pesquisa nacional.
O caso lembra o de Michelle Leão, capitã da PM cujo tio só relatou publicamente os sinais de controle depois da morte dela, pedindo que outras mulheres denunciem desde o primeiro sinal.
O que acontece agora
A Polícia Civil conduz a investigação a partir de agora e deve ouvir testemunhas e familiares para reconstruir a dinâmica do crime. Romeiro permanece preso enquanto o inquérito avança; a eventual denúncia por feminicídio cabe ao Ministério Público do Paraná.



























