Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), se reuniram na noite de terça-feira (4) na casa do ministro Alexandre de Moraes, do STF, após três meses afastados. O encontro, mediado por Moraes e por Cristiano Zanin, durou mais de três horas e mirou destravar a pauta parada no Senado antes das eleições de outubro.

O afastamento começou em novembro de 2025, quando Lula indicou Jorge Messias para a vaga de Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF). O Senado rejeitou a indicação, derrota histórica para o governo.

Pessoas próximas ao encontro afirmam que os dois expuseram as mágoas acumuladas, mas encerraram a conversa com a relação recomposta. Uma nova indicação ao STF ficou de fora da conversa.

O deputado Hugo Motta, presidente da Câmara, intermediou o encontro.

A PEC do fim da escala 6x1, aprovada pela Câmara em maio, aguarda despacho de Alcolumbre no plenário do Senado. A PEC da Segurança Pública, aprovada em março, e o projeto de lei das Terras Raras, aprovado também em maio, estão na mesma fila.

A escala 6x1 prevê reduzir a jornada de trabalho de 44 para 42 horas semanais em 60 dias, e para 40 horas em 14 meses.

Já a PEC da Segurança Pública cria o Sistema Único de Segurança Pública e destina 30% da arrecadação de impostos sobre apostas esportivas ao Fundo Nacional de Segurança Pública.

O governo espera destravar as três pautas antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.

A federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, decidiu ficar neutra no primeiro turno da disputa presidencial. A posição frustra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que buscava o apoio da sigla para ampliar o palanque.

Alcolumbre, que antes era visto dentro do União Brasil como resistência a uma aliança formal com Flávio Bolsonaro, atuou nos bastidores para consolidar essa neutralidade em nível nacional e em estados-chave.

Um dos episódios que desgastaram a relação entre o centrão e Flávio Bolsonaro foi a reação dele à operação da Polícia Federal contra o senador Ciro Nogueira, no caso do Banco Master. Aliados esperavam uma defesa política mais enfática.

A manifestação foi lida como falta de apoio num momento delicado.

O que falta para a pauta andar

As três matérias somam meses parada no Senado à espera de despacho de Alcolumbre. Com a eleição marcada para outubro, o prazo para votá-las nas duas Casas do Congresso fica cada vez mais curto.