Um tribunal de Moscou ordenou, nesta sexta-feira (25), a prisão preventiva do cientista político Alexander Kynev, de 51 anos, acusado de tráfico de drogas. A pena pode chegar a 20 anos, dias depois de ele publicar análises sobre reveses do partido de Putin nas eleições.
Kynev é especialista em sistemas eleitorais e processos políticos regionais da Rússia, com laços conhecidos em círculos liberais da oposição contrária à guerra na Ucrânia. Sua página no Facebook tem mais de 20 mil seguidores.
Na terça-feira (22), dias antes de ser preso, ele publicou análises dos resultados das eleições parlamentares apontando reveses do partido governista, a Rússia Unida, em alguns distritos. Aos seus apoiadores, disse estar "muito cansado" após "trabalhar incansavelmente por quatro meses" monitorando o processo eleitoral.
A Rússia anunciou nesta sexta-feira o resultado final das eleições parlamentares realizadas entre 18 e 20 de setembro. A TV Sim Brasil já mostrou que o partido de Putin liderava a apuração com 57,5% dos votos.
A vitória foi esmagadora, com a eleição de 46 deputados que estão ou estiveram lutando na guerra da Ucrânia.
As eleições também ocorreram em territórios ucranianos ocupados e anexados pela Rússia, e só partidos favoráveis a Putin e à guerra puderam concorrer.
O único partido abertamente contrário ao conflito, o Yabloko, foi excluído em todo o país. A vitória nas urnas, porém, não mede o apoio real à guerra, mostrou a TV Sim Brasil.
A vitória do partido de Putin também tem peso além das fronteiras russas, ao consolidar o discurso de guerra no Parlamento por mais um mandato.
O caso lembra o do jornalista Ivan Golunov, também acusado de tráfico de drogas em 2019 e solto depois que a repercussão pública forçou a retirada da acusação, um dos poucos casos em que a pressão popular reverteu esse tipo de processo na Rússia.
Em outro caso de 2019, o casal de ativistas do movimento Rússia Aberta Lia e Artyom Milushkin foi condenado por tráfico de drogas a 10 e 11 anos de prisão, respectivamente, sob acusações que críticos classificaram como fabricadas.
Kynev havia decidido permanecer em Moscou após a invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022, período em que a Rússia intensificou a repressão contra vozes críticas.
O que acontece agora
Kynev segue em prisão preventiva à espera de julgamento, sob acusação que pode resultar em até 20 anos de prisão. Ainda não há data marcada para a primeira audiência do caso.





























