O Amazonas tem 46 dos 62 municípios em situação de emergência por estiagem e incêndios florestais, segundo boletim da Defesa Civil estadual divulgado neste sábado (24). A crise atinge 113,9 mil famílias, e o Inpe registrou 8.090 focos de calor entre julho e outubro.
Outros 12 municípios estão em alerta e 4 em atenção, aponta o mesmo boletim. O número é maior que os 40 municípios que estavam em emergência três dias antes.
O Corpo de Bombeiros combateu 23.857 focos de incêndio entre 1º de junho e 23 de outubro. Foram 4.721 na capital Manaus e 19.136 no interior do estado.

Como está estruturado o combate ao fogo
O combate reúne cerca de 1.500 bombeiros e brigadistas com apoio de 18 aeronaves, 16 federais e duas estaduais: oito aviões Air Tractor, dois KC-390 e oito helicópteros.
A frota cresceu depois que o governo federal enviou mais cinco aviões para reforçar a operação, na semana passada.
Em Itacoatiara, no interior do estado, um incêndio na região do Rio Urubu já dura 54 dias e consumiu mais de 4 mil hectares. As chamas avançam sobre parte da Terra Indígena Paraná do Arauató, do povo Mura.
A cacique Dina Marques relatou ao site Vanguarda do Norte que, enquanto as equipes apagam o fogo em um ponto, novos focos surgem em outro.
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Dá pena de ver os bichos morrer. Preguiça, pássaros que vão fugindo do fogo.
O relato é de um morador da aldeia, contado ao mesmo veículo. A qualidade do ar na região de Itacoatiara chegou a 250 microgramas por metro cúbico de partículas finas, nível considerado perigoso à saúde respiratória.
Enquanto o governo federal e o Corpo de Bombeiros do Amazonas trocam acusações sobre quem demorou a agir, o fogo segue avançando sobre terra indígena. O atrito ficou público no início do mês.
O ministro da Integração rebateu críticas do comandante do Corpo de Bombeiros do estado: "Seria prudente que o comandante do Corpo de Bombeiros, em vez de tocar fogo, apagasse fogo, se juntasse aos brigadistas", disse o ministro Waldez Góes, segundo a Agência Brasil.
Neste sábado, a Defesa Civil Nacional liberou R$ 7,96 milhões para seis municípios atingidos: Alvarães, Manacapuru, Atalaia do Norte, Barreirinha, Careiro e Silves.
O recurso deve custear ações de resposta e recuperação. Em Manaus, a fumaça já deixou o ar mais poluído do que no recorde registrado em setembro.
O que acontece agora
A força-tarefa federal segue atuando até o fim da estação seca na Amazônia, prevista para novembro. Desde 10 de outubro, as aeronaves já lançaram mais de 1,1 milhão de litros de água e apagaram 337 incêndios, segundo balanço da equipe de combate.































