O candidato do PDT ao governo de Minas Gerais, Alexandre Kalil, cobrou nesta quinta-feira (24) explicações do adversário Cleitinho (Republicanos) sobre voos pagos por empresários durante a campanha, e disse que a prestação de contas dele ao TSE "é mentira".

A declaração veio em sabatina promovida por O Globo, Valor Econômico e pela rádio CBN.

Isso não é conversa séria. Ele tem que prestar contas dos aviões em que anda, porque aquela prestação de contas dele vai dar problema.

Segundo a plataforma do TSE, até a última atualização, em 18 de setembro, Cleitinho gastou R$ 669,3 mil de um limite de R$ 17,7 milhões, em publicidade, serviços contábeis e combustível.

Pela prestação de contas, nenhum real desse total veio de fundo partidário. Viagens, combustível e atendimento à aeronave aparecem como doação, dentro de uma parcela de R$ 719 mil recebida pela campanha em doações privadas.

"Aquilo ali é mentira, porque, quando ele fala que o cara está dando um avião para ele fazer campanha política e não quer nada em troca, é acreditar em Papai Noel", completou Kalil.

"E eu espero que a população de Minas Gerais não acredite em Papai Noel", disse.

Na semana anterior, em entrevista ao MG1, da TV Globo, Cleitinho havia negado que vá favorecer empresários que financiam sua campanha, caso seja eleito.

Procurada pelo Estado de Minas para responder às críticas de Kalil, a equipe do senador não havia retornado até a publicação da reportagem.

A polêmica não é nova. Em setembro, os voos de empresários na campanha de Cleitinho já haviam virado alvo do Ministério Público.

O aperto financeiro contrasta com a liderança nas pesquisas. Um levantamento recente mostrou que Cleitinho arrecadou 22 vezes menos que Kalil em doações formais de campanha.

Na mesma entrevista, Kalil disse que se arrependeu de ter deixado o segundo mandato na Prefeitura de Belo Horizonte para concorrer ao governo em 2022. Definiu-se como "candidato de centro, sem presidente".

O que acontece agora

A eleição em Minas Gerais tem primeiro turno marcado para 4 de outubro. Os três principais candidatos ao governo, Kalil, Cleitinho e Patrus, já faltaram a um debate na semana passada, o que reduz as chances de confronto direto antes da votação.