Um ônibus da empresa Estrela Guia Turismo tombou no km 91 da BR-040, em Petrópolis (RJ), na madrugada deste domingo (16). O acidente matou 10 mulheres e feriu ao menos 40 pessoas. Segundo a ANTT, o veículo fazia transporte clandestino entre Belo Horizonte e o Rio de Janeiro, sem autorização para rodar na rota interestadual.
O veículo, registrado em nome da Dinna Ellles Turismo, levava 47 passageiros quando saiu da pista na descida da Serra de Petrópolis, por volta das 4h30.
Havia comunicação de venda do ônibus para a PIT Tur Transportes, mas nenhuma das duas empresas tem autorização da ANTT para o transporte interestadual de passageiros. A agência não encontrou registro de nenhuma empresa chamada Estrela Guia Turismo, nome pintado na lateral do veículo.
O caso é investigado pelo 105º Distrito Policial de Petrópolis, que apura a viagem clandestina com apoio da Polícia Rodoviária Federal, responsável pelo atendimento inicial da ocorrência.
O trecho do km 91, na Serra de Petrópolis, estava em obras no momento do acidente.
Uma das sobreviventes, Maria Luíza Pereira, de 27 anos, perdeu a irmã e a filha de 7 anos no acidente, a única criança entre as vítimas.
Ela contou que reclamou da velocidade ainda na saída de Belo Horizonte: "Antes de sairmos de BH, reclamei com o funcionário que acompanhava o motorista para que pedisse a ele para ir mais devagar."
Segundo ela, depois de uma parada por volta de 1h da manhã, "senti que ele correu ainda mais".
Um funcionário da empresa avisou os passageiros que o motorista aceleraria para chegar a tempo do nascer do sol em Copacabana. Ao ouvir a reclamação de Maria Luíza, o motorista teria respondido que "é a coisa mais linda o nascer do sol em Copacabana".
Ela recebeu alta com ferimentos leves: "Machuquei a testa e o rosto, tive muitos arranhões e meu olho ficou muito roxo."
Das dez vítimas, todas mulheres, a Polícia Civil do Rio identificou nove ainda no local e a décima no Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias.
Estão entre elas Jhennifer Ferreira Carvalho, 33 anos, Keyla Perucci da Silva, 35, e Vania Elida de Jesus Crispim, 33.
Os feridos foram levados para o Hospital Santa Teresa, em Petrópolis, e para o Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, que registrou 14 pacientes e um óbito. Três passageiros com ferimentos mais graves foram transferidos para o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte.
A pista da BR-040 foi liberada por volta das 7h da manhã.
O que muda na fiscalização a partir desta terça
Mais de 9 mil veículos foram autuados por transporte clandestino de passageiros no Brasil nos últimos três anos, segundo a ANTT. As autuações a ônibus irregulares subiram 54% entre 2023 e 2024.
Uma nova resolução da agência, que endurece as punições contra o transporte clandestino com recolhimento do veículo e perdimento em caso de reincidência, passa a valer nesta terça-feira (18), um dia depois do tombamento na BR-040.
Fica a pergunta se a regra mais dura vai tirar de circulação viagens como a que saiu de Belo Horizonte no fim de semana.


























