Entre 1997 e 2008, a Espanha construiu 5 milhões de casas e apartamentos, quase o dobro da demanda da época. Hoje o país ergue cerca de 90 mil moradias por ano e enfrenta um déficit de 750 mil residências, segundo o Banco da Espanha.

O Brasil vive o problema inverso. O déficit habitacional brasileiro soma 5,77 milhões de moradias, 7,4% dos domicílios do país, segundo o Ministério das Cidades e a Fundação João Pinheiro — mesmo sendo o menor patamar da série histórica.

O que explodiu a bolha espanhola?

A crise financeira de 2008, iniciada nos Estados Unidos com a quebra do banco Lehman Brothers, estourou a bolha imobiliária espanhola. O crédito fechou, os preços despencaram e o setor de construção civil nunca recuperou o ritmo.

"Se, na época da bolha, construíamos o dobro de moradias em relação aos lares formados, hoje construímos um terço", resume Jorge Galindo, pesquisador da Esade.

Desde 2021, surgem 250 mil novos lares por ano na Espanha, puxados sobretudo pela migração. A oferta de moradia não acompanhou.

Uma em cada quatro famílias espanholas hoje enfrenta algum problema habitacional, e 47,3% dos jovens de 26 a 34 anos moram com os pais por impossibilidade financeira.

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Por que o Brasil nunca teve excesso de casas?

O déficit brasileiro é antigo e estrutural: cerca de 25% das famílias vivem em moradias precárias ou com infraestrutura insuficiente, pressionadas principalmente pelo custo do aluguel.

A resposta do país tem sido o oposto da espanhola: construir mais, por meio de programa estatal. O Minha Casa, Minha Vida já soma 2,27 milhões de moradias contratadas, com meta de chegar a 3 milhões até o fim de 2026.

O ponto em aberto

A Espanha mostra que construir demais também cobra um preço, décadas depois. O Brasil aposta na direção contrária, mas o ritmo de entrega do Minha Casa, Minha Vida ainda precisa mais que dobrar para zerar os 5,77 milhões de moradias que faltam no país.