Ataques russos com mísseis e drones mataram ao menos 7 pessoas e feriram mais de 60 na Ucrânia nesta segunda-feira (28), atingindo prédios residenciais, um centro comercial e a Academia Nacional de Ciências, no centro de Kiev, segundo autoridades ucranianas.

Em Kiev, uma mulher morreu na Academia de Ciências, no distrito de Shevchenkivskyi — o prédio histórico é o mais recente patrimônio cultural da capital a ser danificado. O prefeito Vitali Klitschko contabilizou 19 feridos na instituição, 6 deles hospitalizados.

Em Dnipro, um drone atingiu um centro comercial em horário de expediente e matou 3 pessoas; outra morreu num escritório de logística em Synelnykove. Em Kharkiv, um bombardeio contra um prédio residencial de 9 andares feriu 43 pessoas, 11 delas crianças.

No domingo (27), um drone já havia ferido 4 pessoas em Chernihiv, incluindo duas adolescentes.

"A Rússia está expandindo deliberadamente os limites do que acredita que o mundo tolerará. Cada ataque que não recebe uma resposta firme apenas encoraja o próximo", disse o chanceler ucraniano, Andrii Sybiha.

O Ministério da Defesa russo disse ter atingido centros de dados, postos de gasolina e navios de carga, para limitar as exportações de grãos ucranianas. Moscou afirma atacar só alvos militares, embora os bombardeios atinjam áreas civis com regularidade.

Por que os drones estão furando as defesas

A Ucrânia hoje intercepta 55% dos drones Shahed a jato que a Rússia lança contra o país — bem menos que os mais de 90% de sucesso contra os modelos antigos, movidos a hélice, segundo Zelensky.

É essa diferença de desempenho entre os dois tipos de drone que está deixando mais bombas passarem pela defesa aérea ucraniana.

A Rússia multiplicou por 8 o uso desses drones mais rápidos entre junho e agosto: de cerca de 350 lançamentos para perto de 2.800, segundo a Ucrânia. Só em setembro, foram 2.730 até o dia 26, dos quais 1.500 foram abatidos.

A resposta ucraniana está em produção: o SBU testou um interceptador nacional e confirmou, em 19 de setembro, o primeiro abate de um Shahed a jato. Em agosto, o país também retaliou lançando 637 drones contra Moscou, após um ataque russo matar 10 pessoas.

O que acontece agora

A Ucrânia segue dependendo de armas ocidentais: em setembro, os EUA venderam novo lote de armamentos ao país.

Paralelamente, enviados de Trump levaram a Moscou um plano de paz que ainda não travou os ataques no terreno.

O ponto em aberto

A escalada de drones a jato levanta uma pergunta estrutural: a produção ucraniana de interceptadores consegue acompanhar o ritmo em que a Rússia multiplica os lançamentos, ou a diferença na taxa de interceptação vai continuar abrindo brechas como a desta segunda-feira?