Os candidatos ao governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), apresentaram propostas para reduzir o déficit habitacional do estado, o maior do país. Tarcísio aposta na ampliação do Casa Paulista; Haddad quer uma versão estadual do Minha Casa, Minha Vida.
O déficit habitacional do estado soma 1,2 milhão de moradias, segundo dado de 2022 da Fundação João Pinheiro, o maior número entre os estados brasileiros. Minas Gerais aparece em segundo lugar, com 556 mil moradias.
Segundo o plano de governo protocolado na Justiça Eleitoral, o governador promete triplicar os beneficiários do Casa Paulista em favelas, áreas de risco, mananciais e palafitas, com meta de atender mais de 30 mil famílias nesses territórios.
O programa soma hoje R$ 9 bilhões investidos. Ao todo, mais de 350 mil famílias foram atendidas em diferentes modalidades, segundo o governo estadual, somando construção, subsídio e carta de crédito.
A promessa de campanha de Tarcísio em 2022 era entregar 200 mil moradias. O prazo era até o fim do mandato. Levantamento da Revista Fórum aponta que a gestão contabilizava, até a sabatina na Globo, pouco mais de 80 mil famílias atendidas diretamente.
A reportagem aponta que parte relevante desse número corresponde a subsídios e cartas de crédito. Não é construção direta de unidades pelo governo.
A distinção aparece só no levantamento da Revista Fórum, não nos números oficiais do governo estadual. Subsídio para financiar a compra não é o mesmo que casa entregue pelo governo, e essa diferença muda o tamanho real do resultado de cada programa.
O plano de Haddad, registrado em um caderno resumido de diretrizes, dedica um único item à habitação. A campanha enviou ao g1 um documento complementar com 20 medidas para o setor.
O petista propõe ampliar a locação social, requalificar imóveis ociosos, criar cooperativas habitacionais com movimentos de moradia e lançar uma versão paulista do Minha Casa, Minha Vida Entidades, hoje federal. Nos debates, Haddad tem cobrado explicações sobre contratos da gestão estadual.
Os dois planos convergem em pelo menos um ponto.
Áreas de risco, favelas, mananciais e palafitas aparecem como prioridade nos dois candidatos, que também preveem integração da política habitacional com saneamento básico, infraestrutura urbana e ações para idosos e mulheres em situação de violência.
No mercado privado, o Minha Casa, Minha Vida segue em alta na capital paulista, mas perdeu força no interior do estado. Levantamento do Secovi-SP, com a consultoria Brain, aponta o programa federal em 42 cidades.
O programa respondeu por 48,9% dos lançamentos residenciais no primeiro semestre de 2026, queda de 6,9 pontos percentuais.
A disputa pelo governo de São Paulo entra na reta final com Tarcísio à frente nas pesquisas. Habitação é um dos temas que aparecem nos planos protocolados na Justiça Eleitoral, ao lado de segurança e emprego.
O que acontece agora
O primeiro turno da eleição em São Paulo é neste domingo (4/10), segundo o calendário do TSE. Até lá, o histórico de faltas de Tarcísio aos debates com Haddad reduz as chances de confronto direto sobre as propostas de habitação antes da votação.

































