O Índice de Confiança da Indústria (ICI), medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), caiu pelo terceiro mês seguido em setembro, recuando 2,4 pontos frente a agosto, para 91,3 pontos. A piora foi disseminada entre os segmentos da indústria, segundo a FGV.

O índice se divide em duas partes. O ISA (Índice de Situação Atual) recuou 1,3 ponto, para 93,6 pontos, menor patamar desde dezembro de 2025, e o IE (Índice de Expectativas) caiu 3,4 pontos, a 89,2 pontos, nível mais fraco desde novembro de 2025.

"Em relação à situação atual, o resultado mantém os sinais de arrefecimento da demanda e de acúmulo de estoques observados nos últimos três meses, aumentando a possibilidade de ajustes na produção", disse Stéfano Pacini, economista do FGV IBRE.

A queda marca a reversão de uma trajetória que vinha melhorando. O ICI havia chegado a 96,7 pontos em fevereiro, início de um período de recuperação.

Essa recuperação se interrompeu em julho, quando começou a sequência de três quedas mensais seguidas até os 91,3 pontos atuais.

Pacini atribui o freio a dois fatores: "as condições monetárias ainda restritivas, com a Selic em 13,75%, e o ambiente de maior incerteza, que tende a crescer com as eleições, seguem limitando uma recuperação mais consistente da confiança industrial."

O recuo na confiança não é um dado isolado. A intenção de investir da indústria, medida pela CNI, caiu ao menor nível desde agosto de 2020, no início da pandemia, numa sequência de quatro quedas seguidas desde maio.

No mesmo levantamento da CNI, a produção industrial atingiu o pior nível desde agosto de 2015.

Dois institutos, com metodologias diferentes, chegam à mesma leitura: o empresário brasileiro está adiando decisão de investir e contratar até ver o que sai das urnas e da política de juros.

É o mesmo sinal que a pesquisa Firmus do Banco Central captou na mesma segunda-feira, entre empresas de outros setores.

O que explica a queda

A Selic em 13,75% ao ano segue entre as mais altas do mundo, mesmo após cinco cortes seguidos, o que encarece o crédito para expandir fábrica, comprar máquina ou financiar estoque.

Some-se a isso a pressão sobre a margem que já vinha afetando o faturamento do setor antes mesmo dessa piora recente.

A proximidade da eleição de outubro soma incerteza sobre a política econômica dos próximos anos, e a indústria historicamente reage a esse tipo de dúvida cortando investimento primeiro e produção depois.

O ponto em aberto

A pergunta que fica é até quando esse quadro vai durar. A própria FGV liga a recuperação da confiança a dois eventos que têm data: o fim do período eleitoral, em outubro, e o ritmo dos próximos cortes da Selic, hoje em 13,75%.

Nenhum dos dois efeitos aparece nos números publicados nesta segunda-feira, que ainda refletem o pico da incerteza. Se a confiança reage rápido a esses dois gatilhos ou leva meses para se recuperar é algo que só o próximo trimestre da série vai responder.