A Promotoria Nacional Financeira da França (PNF) pediu nesta segunda-feira (28) quatro anos de prisão para o ex-executivo da Renault-Nissan Carlos Ghosn, nascido no Brasil, e para a ex-ministra francesa Rachida Dati, julgados em Paris por corrupção e tráfico de influência no Parlamento Europeu.
O caso é sobre lobby feito entre 2009 e 2013. Dati foi ministra dos governos de Nicolas Sarkozy e Emmanuel Macron.
Ela é acusada de ter recebido € 900 mil da Renault-Nissan nesse período para fazer lobby ilegal em favor da montadora enquanto era eurodeputada.
O contrato de honorários com Ghosn previa remuneração anual de € 300 mil antes de impostos. Para a acusação, é um disfarce contratual para a atividade irregular.
Ghosn nasceu em 9 de março de 1954 em Porto Velho, Rondônia, filho de um imigrante libanês que se estabeleceu no Brasil. Tem nacionalidades brasileira, libanesa e francesa, e deixou o país com a família ainda criança.
O ex-presidente da Renault-Nissan está no Líbano desde dezembro de 2019, quando fugiu do Japão escondido em uma caixa de equipamento musical, após ser preso sob acusação de esconder parte do próprio salário. Ele é julgado à revelia no caso francês.
Após quatro horas de alegações, os promotores do PNF disseram que Dati agiu por "ganância" e buscou "capitalizar um mandato público" para obter o máximo de lucro possível. Chegaram a afirmar que ela "traiu os deveres de probidade e exemplaridade".
A promotora Caroline Genin classificou os atos dos dois acusados como um ataque à democracia e à confiança dos cidadãos nos representantes eleitos.
Dati nega as acusações. Segundo a defesa, ela atuou apenas como advogada da RNBV, a subsidiária holandesa que coordenava a aliança Renault-Nissan, em atividade compatível com o mandato parlamentar que exercia na época.
O tribunal analisou a relação entre os dois em seis meias-sessões de audiência encerradas nesta segunda (28). O foco foi a natureza dos serviços pagos pela RNBV.
O que acontece agora
A decisão do tribunal é esperada nos próximos meses.
Se o tribunal acolher a acusação, Dati perde imediatamente o mandato de prefeita do 7º distrito de Paris e fica impedida de retornar à magistratura, carreira à qual acabara de ser reintegrada.
O PNF pediu ainda cinco anos de inelegibilidade e a proibição de Dati exercer funções públicas e a advocacia. A execução dessas penas complementares seria imediata, assim que a sentença for lida.





























