Empresas consultadas pelo Banco Central elevaram a projeção para a inflação em 2027 e mostraram mais pessimismo com a economia atual, segundo pesquisa publicada pela autoridade monetária nesta segunda-feira (28). É a segunda piora seguida no indicador de confiança empresarial.

A pesquisa trimestral Firmus traz a percepção de empresas de fora do setor financeiro sobre seus próprios negócios e as principais variáveis econômicas. A mediana das expectativas para a inflação em 2027 passou de 4,0%, no relatório de junho, para 4,5% agora.

Para 2026, a projeção ficou mantida em 5,0%, e para 2028, em 4,0%. Os dados foram coletados com 379 empresas entre 10 e 28 de agosto.

A percepção sobre a situação econômica atual do país piorou em relação ao trimestre anterior pela segunda vez seguida. Também houve piora na previsão de desempenho do próprio setor de cada empresa, e nas expectativas de custo de mão de obra e insumos.

Para o PIB, o sinal é misto: a projeção de crescimento subiu de 1,8% para 1,9% em 2026, mas recuou de 1,8% para 1,5% em 2027.

O ano que vinha sendo visto como de recuperação passa a ser encarado com mais cautela pelas próprias empresas que empregam e investem no país.

No câmbio, a mudança de humor também aparece: depois de cinco quedas seguidas, as empresas passaram a esperar dólar mais forte nos próximos seis meses, com mediana de R$ 5,20, ante R$ 5,15 na pesquisa anterior.

O resultado da Firmus segue na mesma direção do que mostrou, na mesma segunda-feira, o Boletim Focus, pesquisa com economistas do mercado financeiro. As duas leituras, feitas com públicos diferentes, convergem para o mesmo diagnóstico de inflação mais alta e crescimento mais fraco adiante.

A piora chega dias depois de o Copom cortar a Selic e ver a inflação subir ao mesmo tempo, combinação que já vinha dividindo analistas sobre o ritmo da economia em 2027.

Organismos internacionais também vêm revisando as contas do país: o FMI ajustou recentemente sua previsão para o PIB brasileiro, movimento que caminha na mesma direção da cautela agora expressa pelas empresas na Firmus.

O que acontece agora

A próxima edição da pesquisa Firmus deve ser divulgada em dezembro, com dados coletados entre outubro e novembro, quando o Banco Central volta a consultar as mesmas empresas sobre o cenário do ano seguinte.