O presidente Lula (PT) avalia participar do debate presidencial da TV Globo, marcado para quinta-feira (1º), diante do avanço de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas. Até agora, o petista só planejava debater num eventual segundo turno. A decisão não foi fechada.
Segundo a Folha de S.Paulo, aliados do presidente insistem na presença para antecipar o embate que teria lugar num eventual segundo turno, mesmo avaliando que Lula pode virar alvo dos demais candidatos no palco.
O ministro-chefe da Secom, Sidônio Palmeira, e o presidente do PT, Edinho Silva, defendem a ida do presidente à Globo. Um dos argumentos é a audiência do debate. A edição de 2022 marcou 26 pontos no primeiro turno.
O comando da campanha já foi avisado. O púlpito de Lula fica vazio se ele faltar, sem os cortes de vídeo para redes sociais que a presença geraria.
Nem todo petista concorda. Parte do partido teme que Lula vire alvo isolado dos adversários de direita, o que permitiria a Flávio Bolsonaro fazer dobradinha com os demais candidatos no palco.
A postura do senador do PL também está em jogo. Se Lula não confirmar presença, a avaliação é que Flávio também falte, para não ser cobrado sobre sua relação com o escândalo do Banco Master.
Em maio, veio a público um áudio em que ele pede dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para concluir um filme sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ausência de presidente-candidato em debate de primeiro turno tem precedente. Lula fez o mesmo em 2006, no primeiro mandato, confiando na vantagem sobre o então oponente Geraldo Alckmin, hoje vice-presidente. Fernando Henrique Cardoso repetiu a estratégia em 1998 e venceu ainda no primeiro turno.
A diferença de 2026 é que as pesquisas mostram os líderes empatados, sem a folga que sustentou as ausências de 1998 e 2006. O cenário é o mesmo que fez a vantagem de Lula sobre Flávio quase sumir nos últimos dois meses.
O debate acontece mesmo sem os líderes?
Sim. A TV Globo confirmou ao Poder360 que vai manter o evento em 1º de outubro. Por lei, a emissora precisa convidar candidatos de partidos com pelo menos cinco representantes no Congresso: PT, PL, PSD e Avante.
Os outros dois nomes com direito ao convite são o governador Ronaldo Caiado (PSD) e o deputado Augusto Cury (Avante). Caiado já criticou publicamente a ausência de Lula e Flávio nos debates anteriores.
A recusa dos dois líderes já derrubou outro compromisso. A Record cancelou o debate marcado para este domingo (27), por falta de confirmação.
Os dois também não foram ao debate da Band, em 23 de agosto, mesmo com a emissora remarcando a data numa tentativa de acomodar a agenda do presidente.
O que acontece agora
O debate da Globo está marcado para a próxima quinta-feira (1º), no horário nobre logo após o Jornal Nacional. Lula ainda não confirmou presença, e Flávio Bolsonaro condicionou a dele à do presidente, mas pode desistir em cima da hora, segundo a Folha.
A Globo garante que o debate vai ao ar mesmo assim.






























