O aluguel residencial subiu 9,16% nos últimos 12 meses no Brasil, mais que o dobro dos 4,22% do IPCA no mesmo período, segundo o índice FipeZAP de Locação Residencial, do Fipe e do Grupo OLX. O levantamento cobre 36 cidades, incluindo 22 capitais, com dados de agosto de 2026.
A alta mensal em agosto foi de 0,55%. No acumulado do ano, de janeiro a agosto, o aluguel subiu 6,56%, também bem acima dos 3,11% do IPCA no mesmo período.
O ritmo, porém, vem caindo. Foram 16,16% em 2023, 13,50% em 2024 e 9,44% em dezembro de 2025. Mesmo assim, o aluguel segue subindo duas vezes mais rápido que o custo de vida médio do país.
Por trás do movimento está o mercado de crédito. A economista Mariangela Silva, do Grupo OLX, explica que os juros altos limitam a compra da casa própria.
Os juros elevados e crédito imobiliário restritivo posterga decisão de compra.
Isso mantém famílias no aluguel e sustenta a demanda por imóveis para locação, segundo a economista.
O impacto é desigual pelo país. Em 2026 (janeiro a agosto), Campo Grande teve a maior alta, de 16,25%, seguida por Natal (13,84%) e Aracaju (13,57%). Em São Paulo, a alta no período foi bem menor: 4,27%.
Em 12 meses, o quadro se repete: Aracaju lidera com alta de 21,61%, seguida por Fortaleza (16,81%) e Natal (16,60%).
O movimento contrasta com outros indicadores de preços. Os preços gerais caíram 0,32% em agosto, a maior deflação em quatro anos.
O item que mais pesa no orçamento das famílias também tem sinal misto: a cesta básica caiu em 25 capitais, mas acumula alta no ano.
A pressão do aluguel só deve aliviar se os juros caírem de forma consistente. O Copom decide nesta semana se reduz a Selic para 13,75%, o que poderia, aos poucos, destravar o crédito imobiliário.
O que muda se os juros caírem
O ritmo de alta do aluguel já desacelerou bastante desde 2023, mas segue acima da inflação enquanto os juros seguem elevados. Se o Copom consolidar o ciclo de cortes na Selic, a expectativa é que o crédito imobiliário fique mais acessível.
Isso tenderia a levar parte da demanda de volta para a compra de imóveis. Ainda não há como saber quanto tempo esse alívio leva para chegar ao bolso do inquilino.


























