A candidata do PL ao Senado pelo Distrito Federal, Michelle Bolsonaro, foi internada nesta terça-feira (22) com um quadro de enxaqueca refratária, sem previsão de alta. É a segunda internação pelo mesmo motivo em pouco mais de dois meses de campanha.
Segundo nota da equipe médica do Hospital DF Star, em Brasília, Michelle está sob "tratamento clínico especializado" e passou por um bloqueio anestésico de nervos cranianos e pericranianos.
Assina a nota o médico Brasil Caiado, que já tratou o ex-presidente Jair Bolsonaro. O procedimento é indicado em casos que não respondem bem a remédios convencionais.
A primeira internação, em agosto, ocorreu na véspera da convenção do PL no Distrito Federal que oficializou sua candidatura ao lado da deputada federal Bia Kicis, e a impediu de participar dos primeiros comícios da campanha.
O que é a enxaqueca refratária?
A enxaqueca é chamada de refratária quando o paciente já tentou diferentes classes de remédios preventivos, como antidepressivos, anticonvulsivantes e betabloqueadores, em doses e por tempo adequados, sem conseguir controlar a dor. É esse quadro que levou Michelle ao bloqueio de nervos.
O procedimento consiste na injeção de anestésico local, às vezes combinado a corticosteroide, próximo ao nervo que se quer tratar, para reduzir a sensibilidade e a inflamação. O efeito começa em minutos e pode durar dias ou semanas.
A enxaqueca atinge 31 milhões de brasileiros, segundo o estudo Global Burden of Disease, publicado na revista científica The Lancet.
A doença consome 1,6% do PIB do país, cerca de R$ 168 bilhões, em perdas comparáveis às do câncer, segundo a Associação Paulista de Medicina.
Apenas 40% dos pacientes recebem diagnóstico correto, e o tempo médio até a identificação e o tratamento adequados chega a 7 a 10 anos, segundo a mesma associação. Em maio, a Anvisa aprovou um novo medicamento para o tratamento da enxaqueca no Brasil.
Pesquisa apresentada no Simpósio Internacional de Enxaqueca mostra que 51% dos pacientes escondem o problema, e desses, 62% não contam nem aos colegas de trabalho.
Grande parte de quem sofre com enxaqueca convive com a dor em silêncio, longe da exposição que uma campanha eleitoral impõe.
A segunda internação de Michelle ocorre 12 dias antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. Nesta mesma terça, ela também criticou uma decisão da Justiça Eleitoral que vetou o uso de fotos de Bolsonaro na campanha.
O ponto em aberto
A segunda internação em dois meses de campanha levanta uma pergunta sobre o próprio calendário eleitoral: a 12 dias do primeiro turno, quanto tempo de agenda uma candidatura pode perder por motivo de saúde sem que isso pese no resultado?
A resposta não depende de Michelle, mas de como o eleitorado do Distrito Federal reagir nas urnas.





























