A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentou um novo pedido de revisão criminal ao STF para suspender a condenação a 27 anos e 3 meses de prisão por golpe de Estado. O pedido foi distribuído ao ministro Kassio Nunes Marques nesta quarta (30).

A petição chega dias depois de uma crise interna na equipe de defesa. O advogado Marcelo Bessa deixou o caso depois que Bolsonaro recuou de um pedido de suspensão de pena que ele mesmo havia protocolado em 24 de setembro.

Segundo reportagens, outro advogado da equipe orientou de forma contrária horas depois do protocolo, e Bolsonaro mudou de ideia. A defesa retirou o pedido no mesmo dia.

Em nota, a defesa informou que "a condução do caso ficará integralmente a cargo dos advogados que atuaram na defesa durante a ação penal". Celso Vilardi, que já compunha a equipe no julgamento original, assumiu a liderança da estratégia.

O argumento da nova petição

O novo pedido usa declarações do ministro Alexandre de Moraes na sessão de 15 de setembro sobre as conversas entre o relator e o banqueiro Daniel Vorcaro, no Caso Master, quando o STF discutiu o acesso da defesa às mídias apreendidas pela Polícia Federal.

Na ocasião, Moraes argumentou que precisava de tempo hábil para analisar o material apreendido, o mesmo direito que a defesa diz ter sido negado a Bolsonaro durante a Ação Penal 2668, sobre a tentativa de golpe.

Segundo os advogados, os links de acesso às provas digitais foram entregues poucos dias antes do início das oitivas de testemunhas na ação penal, tempo insuficiente para a análise do material.

O que acontece agora

Kassio Nunes Marques, o ministro sorteado para relatar o novo pedido, já relata outra revisão criminal do ex-presidente e ainda não decidiu sobre o caso.

Enquanto o STF não julga o pedido, a condenação por tentativa de golpe permanece em vigor, e Bolsonaro segue cumprindo prisão domiciliar em Brasília (DF).

É a segunda tentativa da defesa de usar o Caso Master como argumento. Em 25 de setembro, a equipe já havia protocolado outro pedido de revisão criminal com base na mesma sessão do STF, então sob responsabilidade de outro advogado da banca.