Criminosos usam comentários de vídeos no TikTok para anunciar a venda de material de abuso sexual infantil, direcionando compradores para grupos no Telegram por meio de códigos. O g1 monitorou perfis com essa prática, mas não revela os termos usados.
Não é a primeira vez que a rede social é usada dessa forma. No início do ano, o g1 já havia mostrado grupos supremacistas explorando brecha parecida para disseminar conteúdo de ódio.
No Telegram, a venda acontece de três formas: negociação automatizada por bot, conversa privada direta com o criminoso, ou minissites dentro do próprio aplicativo. Os vendedores costumam oferecer amostra gratuita antes de fechar negócio.
O que a lei brasileira prevê?
A lei prevê pena de 4 a 10 anos de prisão para quem produz ou vende conteúdo de abuso sexual contra menores, e de 3 a 6 anos para quem adquire, armazena ou mantém esse material, além de multa nos dois casos.
Segundo Ana Cláudia Cifali, coordenadora jurídica do Instituto Alana, a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital tem base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que tipifica a conduta desde 2008.
Ela cita também o artigo 227 da Constituição, e afirma que tanto quem produz o material quanto as plataformas que o hospedam podem ser responsabilizados legalmente.
Casos parecidos já levaram a Justiça a cobrar outras plataformas. Em setembro, a AGU pediu que a Justiça obrigasse o Discord a proteger crianças, e um ex-funcionário da Meta afirmou que a empresa mandou apagar provas de abuso infantil encontradas internamente.
Procurado, o TikTok afirma não permitir conteúdo que exponha jovens a risco de dano físico, psicológico ou de desenvolvimento.
Entre janeiro e junho, a plataforma removeu mais de 7 milhões de vídeos do Brasil, cerca de 1 milhão deles ligados a abuso sexual e físico de jovens.
O Telegram diz não tolerar esse tipo de material, mas reconhece que a criptografia dificulta o monitoramento das conversas. A empresa afirma ter removido mais de 300 mil grupos ligados ao tema só em 2026.
Em agosto, Lula sancionou a lei que aumentou as penas para violência sexual digital contra crianças e adolescentes.
Como denunciar
Denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo Disque 100 ou pelo WhatsApp (61) 99656-5008, do Ministério dos Direitos Humanos. Também é possível procurar diretamente uma delegacia, o conselho tutelar da região ou o Ministério Público.





























