O fim da escala 6x1, aprovado pelo Senado nesta quarta (14), dá fôlego à campanha de Lula, mas dificilmente converte o eleitor indeciso, avalia o cientista político Murillo de Aragão, CEO da Arko Advice. A avaliação foi dada em entrevista ao WW.

Segundo Aragão, a mobilização deu um respiro real à campanha de Lula.

O analista pondera que as manifestações recentes vieram acompanhadas de episódios que podem afastar o eleitor indeciso, como queima de bandeiras e depredação de estações de metrô. Para ele, os episódios evocam os protestos de 2013 e preocupam o eleitorado que decide a eleição.

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) relaxou após o bom desempenho no 1º turno, segundo Aragão. Os trackings chegaram a marcar 6 pontos de vantagem para Flávio, mas houve refluxo a partir de segunda-feira (12).

O refluxo coincidiu com o maior engajamento de Lula nas redes sociais desde o início da campanha. A disputa segue apertada.

As pesquisas mais recentes mostram a disputa do 2º turno ainda dentro da margem técnica entre os dois candidatos.

Sobre a PEC da Segurança Pública, Aragão reconhece a articulação do governo no Senado, mas pondera que a proposta não resolve sozinha a percepção de insegurança.

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O governo está fazendo barba, cabelo e bigode no Senado com essas medidas, disse Aragão, ao citar a celeridade das pautas de interesse do Planalto na Casa.

Para o analista, a PEC não deve ser vista como solução definitiva. Ele a chamou de "um movimento político importante", mas não de uma bala de prata.

"A percepção de insegurança é muito grande e isso vai ser cobrado nos debates, principalmente à frente", disse Aragão.

O que acontece agora

O Senado vota a PEC da Segurança Pública em plenário nesta quinta (15), a partir das 14h, em dois turnos.

O texto chegou ao plenário por rito acelerado aprovado nesta semana e precisa de ao menos 49 votos em cada turno para ser promulgado.

Para Aragão, votar contra a pauta teria custo eleitoral alto às vésperas do 2º turno, marcado para 25 de outubro. Até lá, Lula ainda precisa reverter o cenário inédito de uma virada no 2º turno.