O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, anunciou neste sábado (3) que o país vai intensificar os ataques a refinarias de petróleo russas, resposta a uma "nova doutrina" russa de bombardeios contra alvos civis ucranianos. Segundo Zelensky, as refinarias financiam a guerra russa.
A inteligência ucraniana obteve documentos que mostram que o presidente russo, Vladimir Putin, passou a autorizar ataques contra uma gama mais ampla de alvos civis antes do inverno no hemisfério norte.
"Vimos os documentos: eles permitem atacar infraestrutura, logística, estradas, escolas e hospitais, para forçar as pessoas a deixar Kiev e outras cidades", disse Zelensky. "Esse é o objetivo da operação."
Perante os ataques aos nossos recursos energéticos, temos de responder atacando os deles. Em primeiro lugar, as refinarias de petróleo: são elas que lhes dão dinheiro para esta guerra.
O Kremlin não se pronunciou no sábado, mas o Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou que Moscou seguirá atingindo sistematicamente alvos ucranianos, em resposta aos ataques da Ucrânia dos últimos meses. Os dois lados negam atacar civis de forma deliberada.
O que isso muda no abastecimento do Brasil?
O aperto no refino russo chega ao Brasil pelo preço do diesel. Segundo o Poder360, o país foi destino de US$ 3,7 bilhões em diesel russo só no 1º semestre de 2026, 63% de tudo que importou do produto no período.
A fatia da Rússia no diesel importado pelo Brasil oscilou nos últimos anos. Foi de 65% em 2024, recuou a 47% em 2025 e voltou a 63% neste ano. A Petrobras, enquanto isso, perdeu espaço no mercado de importação.
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Quem ocupou esse espaço foram tradings que praticamente não existiam no setor de diesel antes da guerra, e hoje concentram boa parte das importações do produto.
Os números explicam por que qualquer nova rodada de ataques às refinarias interessa ao consumidor brasileiro de diesel, a milhares de quilômetros da guerra.
O aperto não é novidade. O governo russo já havia travado parte das exportações de diesel, movimento que elevou o custo de importação para o Brasil.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu a Zelensky no mês passado que evitasse atacar refinarias russas, alegando que os ataques elevam os preços globais do diesel.
Zelensky disse não ter recebido qualquer indicação de que Putin esteja disposto a discutir um cessar-fogo sobre a infraestrutura energética. A declaração ocorre em meio à contraofensiva ucraniana no leste, batizada de "Vivaldi", que recapturou cerca de 140 km² na região de Donbas.
Território que a Rússia quer controlar por inteiro como condição para qualquer acordo de paz. O avanço integra a métrica que a Ucrânia vem usando para medir o desgaste das forças russas na linha de frente.
O que acontece agora
A guerra completa quatro anos sem sinal de cessar-fogo energético. O governo Trump segue tentando reatar as negociações de paz, mas Zelensky diz que a Rússia não deu nenhum indício de interesse em discutir uma trégua para a infraestrutura de energia.
Kiev promete manter os ataques às refinarias enquanto a oferta de paz não aparecer.






























