A Rockbridge Network, grupo político-empresarial de direita fundado pelo vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, iniciou contatos no Brasil nos últimos meses, segundo a Folha de S.Paulo. Emissários procuraram empresários e políticos brasileiros com uma oferta de até US$ 1 milhão por ano.
O grupo oferece duas categorias de adesão: a Keystone, por US$ 500 mil ao ano, e a Visionary, por US$ 1 milhão. A categoria mais cara dá assento no conselho estratégico da Rockbridge Brasil e acesso a jantares privados com doadores internacionais.
Os pagamentos podem ser feitos em dólar, criptomoeda, ações ou estruturas de trust, repassados a uma empresa batizada Rockbridge Brazil LLC. Fora dos Estados Unidos, o grupo mantém representação oficial só na Coreia do Sul.
O processo de instalação no Brasil foi suspenso por causa do ambiente eleitoral, considerado tumultuado por quem acompanha as tratativas.
A rede nasceu em 2019, num encontro fechado em Ohio, fundada por Vance e pelo empresário Chris Buskirk com apoio do bilionário Peter Thiel, cofundador do PayPal e da Palantir.
Entre os nomes ligados à rede estão o investidor Marc Andreessen e os irmãos Winklevoss, da corretora de criptomoedas Gemini. Segundo apurou a Folha, representantes do grupo já se reuniram com o empresário Joesley Batista, da J&F, e o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual.
Procurados, nenhum dos dois comentou. Os pré-candidatos Flávio Bolsonaro e Romeu Zema também tiveram contato com integrantes da rede e não quiseram falar sobre o assunto.
Por que o grupo virou alvo do STF?
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu ao STF, em meados de setembro, que investigasse suposta interferência dos Estados Unidos na campanha do pré-candidato Flávio Bolsonaro. A petição, apresentada em nome do PT, não traz até agora prova pública de repasse financeiro.
A repercussão cresceu depois que o pré-candidato Renan Santos (Missão) disse que a Rockbridge financiaria indiretamente a campanha de Flávio, sem apresentar provas.
A petição cita um documento de 22 páginas sobre terras raras e minerais críticos, escrito pelo candidato ao governo do Rio André Marinho, que se reuniu com Vance em abril — o mesmo plano de terras raras ligado a Flávio Bolsonaro revelado em setembro.
André Marinho, autor do documento, diz que ele foi um exercício hipotético de análise de cenário, nunca compartilhado com a campanha ou com autoridades americanas.
O empresário Pedro Sang, que conheceu a Rockbridge por meio de Marinho em outubro de 2025, afirma que nunca se tornou membro e que a aproximação está suspensa desde maio.
Talles Gomes, que participa da rede como membro sem cargo de gestão, afirma que nunca recebeu, intermediou ou ofereceu recursos, nacionais ou estrangeiros, para fins eleitorais.
O documento sobre terras raras foi escrito em 19 de março, nove dias antes de Flávio discursar na CPAC descrevendo o Brasil como peça central da estratégia americana de independência mineral em relação à China.
A reunião de Marinho com Vance só aconteceu depois, em 13 de abril. A aproximação com a Rockbridge é anterior ao discurso público de Flávio sobre terras raras, não o contrário.
O que acontece agora
O pedido de Lindbergh Farias ainda aguarda decisão do STF, sem prazo divulgado. Até agora, nenhum dos citados apresentou prova pública de repasse de dinheiro à campanha de Flávio Bolsonaro, e a adesão brasileira ao grupo segue suspensa por causa do período eleitoral.





























