O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) questionou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante o debate da Band neste domingo (18), sobre uma suposta votação de 73% dos presidiários no petista, em troca de provocações que também envolveu o filho do presidente.

"Oh Lula, com você, a criminalidade explodiu no Brasil. Inclusive, você pode explicar por que 73% dos presidiários votaram em você?", questionou Flávio, no primeiro confronto direto entre os dois candidatos ao 2º turno. Lula ironizou a provocação do adversário.

Eu quero que votem 100%, até teu pai. Até teu pai. (...) Teu pai pode votar em mim (...) porque ele te conhece, ele te conhece. E ele sabe que eu sou melhor do que você.

Flávio reagiu dizendo que nem o próprio pai poderia votar nele, "porque ele foi vítima de uma perseguição". Horas depois, questionado se o próprio filho havia votado nele, Lula devolveu: "Seu pai votou em mim."

Em outro momento do debate, Flávio citou a lobista Roberta Luchsinger, apontada por investigações como intermediária de repasses financeiros a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, vindos do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS". Antunes está preso desde este ano.

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É apontado pela Polícia Federal como operador central de um esquema que desviou até R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas do INSS, entre 2019 e 2024, por meio de descontos não autorizados na folha de benefícios.

"Por que a Polícia Federal só vai na casa dela e não vai na casa do seu filho? Cadê o Lulinha?", questionou Flávio.

Lula respondeu que Luchsinger "é um problema da Polícia Federal" e afirmou que investigações também apontam que Flávio teria mantido escritório com o próprio Careca do INSS.

O número citado por Flávio é próximo do real. Segundo levantamento do Poder360 com base nos boletins de urna do TSE, Lula recebeu 72,6% dos votos válidos em seções eleitorais de presídios no 1º turno, contra 23,3% de Flávio.

O levantamento identificou 11.190 votos válidos em 243 seções eleitorais destinadas a presos provisórios, sem condenação definitiva. Também votam ali adolescentes internados a partir de 16 anos, agentes penitenciários, policiais penais e mesários.

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Condenados com sentença transitada em julgado, como Jair Bolsonaro, têm os direitos políticos suspensos e não podem votar. O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso provisoriamente, votou no 1º turno por não ter condenação definitiva.

O que acontece agora

O inquérito sobre o Careca do INSS segue em curso.

Em 15 de outubro, o TSE já havia determinado a remoção de um vídeo de Flávio que associava Lula ao esquema do INSS. O 2º turno da eleição presidencial acontece em 25 de outubro.