O governador da Califórnia, Gavin Newsom, afirmou nesta quarta-feira (23) que, se fosse brasileiro, estaria muito preocupado com uma eventual interferência dos Estados Unidos nas eleições do Brasil. Em entrevista ao Metrópoles em Nova York, ele citou a tarifa de 50% aplicada pelo governo Trump.

Newsom classificou de "cômica" a chamada "tarifa Bolsonaro", elevada a 50% pelo governo americano, e chamou de "obsceno" o relacionamento entre a família Bolsonaro e Trump. Ele participa de eventos paralelos à Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

Tivemos uma tarifa Bolsonaro de 50%, o que foi cômico. Então eu ficaria muito preocupado com isso.

"A gente acabou de tirar o Maduro e agora estamos assumindo os interesses petrolíferos na Venezuela. Quer dizer, sim, eu ficaria um pouco preocupado", completou Newsom, citando a operação que capturou o ditador venezuelano Nicolás Maduro.

Como a tensão comercial virou tema eleitoral

A tensão começou em julho de 2025, quando Trump classificou o Brasil como "ameaça incomum e extraordinária" e elevou tarifas a 50%. Em 2026, novas taxas levaram parte das exportações brasileiras a uma cobrança de até 37,5%.

Entre as justificativas do governo americano estão a regulação brasileira de redes sociais e a condenação de Jair Bolsonaro por tentar reverter instituições democráticas.

O filho do ex-presidente, Eduardo Bolsonaro perdeu o mandato de deputado federal por faltas após se mudar para os Estados Unidos alegando perseguição política.

O governo brasileiro já havia sido alertado sobre o risco. Em agosto, a Agência Brasileira de Inteligência elevou a nível crítico o risco de interferência dos EUA nas eleições, e o Palácio do Planalto atribui a pressão à afirmação da hegemonia americana na região.

Nesta semana, o próprio governo Lula identificou interferência dos EUA em quatro frentes da eleição.

Em julho, o Departamento de Estado americano negou publicamente pretender interferir no pleito. "Qualquer insinuação de uma conspiração para minar a eleição de uma nação democrática é uma mentira infundada", disse o órgão na ocasião.

Crítico frequente da política externa e comercial de Trump, Newsom é cotado como um dos principais nomes democratas para disputar a Casa Branca em 2028. A declaração ganha peso por ser feita em solo americano, por um adversário direto do presidente.