O feijão-carioca pode chegar perto de R$ 12 o quilo em algumas regiões em fevereiro de 2027, segundo avaliação do Ibrafe citada pela CNN Brasil. A alta ocorre mesmo com preços fortes no campo, porque a área plantada não reage na mesma velocidade.

Marcelo Lüders, presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), disse à CNN que já há negócios acima de R$ 310 a saca. Segundo ele, as altas recentes têm sido de R$ 10 a R$ 15 em intervalos de três ou quatro dias.

“E o mercado não dá, por enquanto, sinais claros de que tenha encontrado um teto”, afirmou Lüders.

Por que o feijão pode subir?

O feijão pode subir porque o mercado entra no fim de 2026 com estoques baixos e sem sinal de aumento de área. A pressão é diferente da safra total de grãos: o país pode colher muito e, ainda assim, ter aperto em um produto específico.

A terceira safra, colhida entre junho e agosto, costuma ampliar a oferta e aliviar preços. Desta vez, segundo a CNN, ela chega a um mercado que já vinha caro. “Os preços partiram de patamares altos, não temos estoque”, disse Lüders.

No Paraná, um dos principais produtores, o Ibrafe estima que a primeira safra possa cair para 90 mil hectares. No ciclo anterior, eram 104 mil hectares; se confirmado, será o menor nível desde 2015/16.

Esse recorte contrasta com a produção ampla do campo brasileiro. A TV Sim mostrou que a safra de grãos pode chegar a 366,6 milhões de toneladas, mas esse número agregado não garante folga para todos os alimentos.

O que pesa para o produtor?

O que pesa para o produtor é a comparação com culturas concorrentes, especialmente a soja. Na referência usada pelo Ibrafe, duas sacas de soja bastariam para comprar uma saca de feijão, reduzindo o incentivo para ampliar a área da leguminosa.

Com preço remunerador, o produtor também tende a vender logo e carregar menos estoque, segundo Lüders. Isso deixa o mercado com menos ponte para os primeiros meses de 2027, período em que o consumidor pode sentir mais o repasse no varejo.

Para a família, o efeito aparece na cesta. A TV Sim registrou que a cesta básica caiu em 25 capitais, mas ainda acumulava alta no ano; feijão caro pode reabrir pressão em um item de consumo frequente.

O que acontece agora

O mercado vai observar a área efetivamente plantada na safra 2026/27 e o ritmo de formação de estoques até o início de 2027.

A produção agrícola recorde, já mostrada pela TV Sim em valor de R$ 927 bilhões, não impede que alimentos específicos tenham ciclos de oferta apertados.