O calor e a chuva irregular colocaram a florada do café de Minas Gerais em alerta nesta terça-feira (22), depois de boletins apontarem risco para lavouras na Zona da Mata e no Cerrado Mineiro, segundo Canal Rural, Inmet e Expocacer.

O ponto sensível é a abertura das flores, etapa que define parte da safra seguinte.

Segundo o Canal Rural, temperaturas frequentemente acima de 30ºC são prejudiciais ao café. A previsão citada pelo veículo indica outubro entre 28ºC e 32ºC na Zona da Mata.

O mesmo boletim projeta chuva acima de 150 mm em outubro, mas volumes menores, de 100 mm a 150 mm, em novembro e dezembro.

O alerta não significa quebra de safra já contratada. O próprio Canal Rural afirma que o cenário ainda não aponta perda ampla, mas pode limitar a produtividade máxima das plantas.

O risco está menos na falta total de chuva e mais na combinação entre calor persistente e distribuição ruim da água.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também vê irregularidade. Em boletim de 26 de agosto, o órgão informou que o Cerrado Mineiro teria forte variação espacial de chuva, enquanto as Matas de Minas poderiam receber precipitação irregular, com maior volume no setor sul.

A TV Sim mostrou que a colheita do Cerrado Mineiro chegou a 99%. Em outra frente, a Faemg apontou safra 32,5% maior no estado, para 33,4 milhões de sacas.

Por que a florada preocupa o produtor?

A florada preocupa o produtor porque ela liga a safra colhida agora ao ciclo de 2026/27. O Inmet explica que, depois do período seco, a reidratação rápida dos botões florais pode estimular aberturas pontuais ou antecipadas, a chamada chuva de florada.

No Cerrado Mineiro, a Expocacer informou que chuvas em 26 de agosto e 2 de setembro abriram uma florada significativa na maioria das lavouras. Patrocínio recebeu 9 mm no período, enquanto Araxá teve 29,6 mm, Patos de Minas 24,9 mm e Monte Carmelo 17,6 mm.

Os técnicos da cooperativa apontaram que os volumes seguem baixos e mal distribuídos. Eles recomendaram aos cafeicultores acompanhar a previsão e ajustar colheita, proteção fitossanitária e irrigação conforme a umidade do solo.

"Com isso, o recolhimento de chão permanece como uma das principais atividades neste momento", indicaram os técnicos da Expocacer, ao tratar do café que caiu no solo durante a colheita.

O que muda no manejo das lavouras?

O manejo das lavouras muda porque o produtor precisa proteger florada e grãos ao mesmo tempo. A Expocacer estima que cerca de 30% da safra atual caiu no chão por causa das chuvas, e 67% desse volume já tinha sido recolhido no início de setembro.

Esse acúmulo de tarefas reduz a margem de erro. A cooperativa recomendou finalizar a colheita, fazer proteção da florada, observar a broca-do-café e ajustar nutrição, porque os frutos entram em granação mais cedo quando a florada avança.

A TV Sim já havia mostrado que as chuvas atrasaram a colheita e ameaçaram a safra de 2027 em Minas. Agora, o calor entra como segundo teste para a uniformidade das plantas.

O próximo passo é acompanhar outubro. Segundo o Canal Rural, a chuva deve se firmar no mês, mas intercalada com períodos de tempo firme. Para o produtor, a melhor notícia não é apenas chover, mas chover na hora certa e com menor estresse térmico.