Fortaleza recebeu 2.239.809 turistas no primeiro semestre de 2026, fluxo que movimentou R$ 10,5 bilhões na economia da capital cearense, segundo o Observatório do Turismo da Setfor. Do total, 12,3% dos visitantes citaram a gastronomia regional como o aspecto mais marcante da viagem.

A pesquisa da Setfor também mostra que 89% dos turistas relataram ter vivido experiências novas durante a visita à capital cearense, num período de seis meses.

O fluxo internacional cresce mais que o total

O fluxo de turistas estrangeiros cresceu 23,6% no período, com 54.609 visitantes internacionais em Fortaleza no primeiro semestre. É um ritmo mais acelerado que o crescimento do turismo em geral na capital cearense.

O cenário nacional segue direção parecida: a Embratur projeta que o Brasil bata recorde de 10 milhões de visitantes internacionais em 2026, e a comida está entre os aspectos mais bem avaliados por quem vem de fora. O setor de bares e restaurantes é apontado como um dos que mais sentem esse fluxo em alta no país.

O prato que virou roteiro

Carne de sol, macaxeira, queijo coalho, peixe, frutos do mar e caju formam o núcleo da identidade gastronômica que atrai o visitante a Fortaleza. Restaurantes tradicionais, como o Boteco do Ciço, fundado em 1984 e sob nova gestão desde 2016, atraem tanto morador quanto turista.

O apelo desses endereços não está só no prato. Para quem visita a cidade, conhecer um restaurante tradicional pode significar mais que provar uma receita: é contato com parte da memória gastronômica local, num ambiente e numa história que o cardápio sozinho não conta.

Uma pesquisa da Booking.com com viajantes brasileiros mostra a mesma tendência: 90% consideram a culinária local ao planejar uma viagem, e 52% preferem restaurantes autênticos e pouco conhecidos a estabelecimentos sofisticados.

Outras cidades brasileiras também transformam a comida regional em atrativo turístico. Em Manaus, a prefeitura acaba de inaugurar uma rua gastronômica com meta de atrair 300 mil turistas por ano.

Em Minas Gerais, um roteiro gastronômico próximo a BH segue o mesmo caminho.

O movimento também aparece em restaurantes históricos que renovam o cardápio e o serviço para continuar atraindo visitante, caso da Casa dos Contos, ícone da capital mineira.