A empresária Cibele Marchis, 28 anos, morreu por volta das 16h desta quinta-feira (24) em Mogi Guaçu (SP), com câncer na glândula suprarrenal. A mãe dela, Maria Elisabete, 56, morreu às 1h58 da madrugada seguinte, em outro hospital, também por câncer, dez horas depois.

O câncer que atingiu Cibele é considerado extremamente raro. Segundo o oncologista Vinícius Corrêa da Conceição, do Vera Cruz Hospital, tumores primários na suprarrenal registram de 1 a 2 casos por ano a cada 1 milhão de habitantes.

O que é o câncer de suprarrenal?

O câncer de suprarrenal atinge as glândulas que ficam acima dos rins e produzem hormônios essenciais ao corpo. A doença pode começar em qualquer uma das duas partes da glândula, e por isso não existe um único tipo de tumor suprarrenal.

A maioria dos tumores encontrados na suprarrenal são metástases de outros cânceres, como de mama, pulmão ou melanoma. O caso de Cibele foi diferente: um tumor primário, que se originou na própria glândula e depois se espalhou.

Por que esse câncer é tão raro e quem ele atinge?

O câncer de suprarrenal pode surgir em qualquer idade, inclusive em jovens como Cibele. Segundo o oncologista, parte dos casos está ligada a alterações genéticas, como no gene TP53, embora a causa específica do caso dela não tenha sido divulgada.

Cibele apresentou os primeiros sintomas em dezembro de 2023 e passou pela primeira cirurgia em agosto de 2024.

Ao longo de quase três anos de tratamento, fez sessões de quimioterapia e outras medicações, mantendo trabalho e rotina.

"Ela não queria ser conhecida como a Cibele que tem câncer, e sim a Cibele que trabalha, se diverte, vive e tem câncer", disse a sócia dela.

A mãe de Cibele, Maria Elisabete, era pedicure e enfrentava um câncer também pouco comum, no pâncreas. Ela morreu sem saber da morte da filha, horas antes.

O diagnóstico precoce segue sendo o maior desafio de tumores raros como o de Cibele, área em que novos testes têm reduzido o tempo de espera para outros tipos de câncer.