A crioterapia capilar, ou touca gelada, pode reduzir a queda de cabelo causada pela quimioterapia. A técnica resfria o couro cabeludo, contrai os vasos sanguíneos da região e diminui a quantidade de medicamento que chega à raiz do cabelo, segundo oncologistas.

A quimioterapia ataca células que se multiplicam rápido, e as do folículo capilar têm essa característica. Por isso, segundo a oncologista Sabina Aleixo, boa parte dos pacientes perde cabelo durante o tratamento, embora nem todo quimioterápico cause queda.

"A touca resfria bastante o couro cabeludo. Com o frio, os vasos sanguíneos da região se contraem, fazendo com que uma quantidade menor do medicamento chegue até a raiz do cabelo", explica a oncologista.

Quanto a touca realmente funciona

A eficácia da touca gelada varia conforme o tipo de quimioterápico usado. O estudo SCALP, publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA), mostrou que metade das pacientes manteve mais de 50% dos fios após os ciclos de tratamento.

Em regimes baseados em taxanos, a preservação do cabelo chega a 100%. Já em tratamentos com antraciclinas, a eficácia da técnica é reduzida, segundo os médicos consultados. Ou seja, o resultado depende diretamente do tipo de quimioterápico usado.

Quem não pode usar e como se preparar

A touca gelada não é indicada em algumas neoplasias hematológicas, como leucemias e linfomas, e exige avaliação individual do oncologista antes do início do tratamento. Durante o uso, a dermatologista Andressa Vargas recomenda minimizar agressões químicas, térmicas e mecânicas ao couro cabeludo.

  • Evitar tinturas, descolorações e alisamentos durante o tratamento.
  • Não usar secador quente, chapinha ou modeladores térmicos no período.
  • Manter o couro cabeludo íntegro, sem feridas ou inflamação.
  • Garantir o ajuste uniforme da touca à cabeça durante as sessões.

Tratamentos tópicos extras, como minoxidil e laser, não têm indicação rotineira durante o uso da touca e devem esperar a fase pós-tratamento.

No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) testa a tecnologia desde 2020, no Hospital do Câncer III, no Rio de Janeiro. Um projeto piloto começou com a doação de um equipamento pela empresa britânica Paxman e envolveu pacientes numa fase inicial de aprendizado.

"A gente vê muita gente não querendo tratar o câncer com medo de perder o cabelo", disse à Agência Brasil, em 2020, o diretor do hospital, Marcelo Bello.

A oncologia brasileira também avançou recentemente na aprovação de um remédio oral que reduz o avanço do câncer de mama em 56%.

Em alguns casos, pacientes podem evitar a quimioterapia com exames genéticos que identificam quem realmente precisa do tratamento.

Outro avanço recente foi no diagnóstico: um levantamento mostrou que o câncer de tireoide afeta 4 vezes mais mulheres.