Pesquisadores da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, criaram um teste genômico que reduz o diagnóstico de tumores cerebrais de semanas para cerca de 2 horas. O exame consegue identificar o tipo de tumor enquanto o paciente ainda está na fase de cirurgia.

Equipe médica realiza cirurgia em centro cirúrgico
Cirurgia em andamento no Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer (foto de contexto). Foto: Pasárgada Comunicação/flickr via Openverse

Segundo o NHS England, o serviço nacional de saúde da Inglaterra, o teste será usado em 5 centros especializados do país para avaliar sua efetividade na prática. Bons resultados podem levar à ampliação da escala de uso.

Os exames atuais usam microscópio para a análise laboratorial do tecido retirado na cirurgia. O novo teste manda as amostras para um laboratório de patologia, onde uma máquina de sequenciamento lê o DNA e define o tipo de tumor.

A diferença está na velocidade.

Detectar o tipo de tumor ainda durante a cirurgia, e não semanas depois, permite ao cirurgião ajustar o procedimento e torna o tratamento mais precoce.

Quais são os sintomas de tumor cerebral?

Os sintomas de tumor cerebral variam de pessoa para pessoa, mas alguns sinais aparecem com mais frequência e merecem atenção médica quando aparecem combinados e persistem por dias, segundo pesquisadores.

  • Dores de cabeça persistentes
  • Alterações na visão
  • Convulsões
  • Problemas de equilíbrio
  • Mudanças de humor e personalidade
  • Dificuldades na fala e na memória

A maioria dos casos de tumor cerebral não tem uma causa clara. A doença é considerada multifatorial, resultado de alterações genéticas, adquiridas ao longo da vida ou hereditárias, e também de fatores ambientais.

O teste britânico não é a única aposta para acelerar esse tipo de diagnóstico.

Uma inteligência artificial batizada de Hetairos já reduziu, em testes na Alemanha e na China, o diagnóstico molecular de câncer cerebral de 12 dias para 12 minutos.

A diferença entre as duas abordagens: o Hetairos aplica IA a exames moleculares já existentes, enquanto o teste de Nottingham sequencia o DNA diretamente durante a cirurgia, ainda em fase piloto.

O que acontece agora

O NHS England vai testar o exame em 5 centros especializados da Inglaterra antes de decidir se amplia o uso para outros hospitais do país. Cientistas de outros países seguem testando alternativas próprias para o mesmo problema.

A aposta por testes genéticos mais rápidos também aparece em outras frentes da oncologia. O portal já mostrou como uma inovação no diagnóstico do câncer de mama pode aumentar taxas de cura.

O mesmo vale para outros tipos da doença: o câncer medular de tireoide demanda testes genéticos imediatos assim que é diagnosticado.