A infertilidade masculina afeta hoje entre 15% e 18% dos homens brasileiros, contra 10% a 13% há vinte anos, segundo o urologista Jorge Hallak, professor da USP e especialista em saúde reprodutiva masculina. O problema segue pouco diagnosticado e cercado de tabu.

Eles só descobrem o problema quando tentam ser pais

afirma Hallak, que também aponta resistência de clínicas de reprodução ligadas a grupos econômicos em divulgar informação sobre o diagnóstico adequado da infertilidade.

Hallak cita estudos que apontam queda de 62% na concentração de espermatozoides e de quase 59% na motilidade espermática nos últimos 50 anos.

"A poluição ambiental varia de país para país, mas o resultado final no organismo é semelhante", afirma o especialista.

Quais fatores aumentam o risco de infertilidade masculina?

Hallak lista poluição ambiental, sedentarismo, consumo de álcool e drogas, uso indiscriminado de testosterona e estresse crônico entre os fatores associados ao aumento da infertilidade. A maconha aparece como a droga mais prejudicial à fertilidade masculina, segundo ele.

A varicocele, dilatação das veias do testículo, está presente em até 81% dos casos de infertilidade secundária e afeta 15% da população masculina em geral. Entre 30% e 45% dos homens com a condição desenvolvem disfunção espermática por causa dela.

O tratamento da varicocele é cirúrgico, com pequena incisão e recuperação em até 48 horas. Já a taxa geral de sucesso do tratamento da infertilidade masculina fica em torno de 30%, segundo Hallak.

Cerca de 30% dos casos de infertilidade do casal decorrem só de fator masculino, dentro de um quadro em que a infertilidade afeta de 10% a 20% dos casais em idade reprodutiva no país.

Para Hallak, a chave é buscar avaliação urológica antes de recorrer a técnicas caras de reprodução assistida, já que muitas causas de infertilidade masculina têm tratamento clínico ou cirúrgico.

O que acontece agora

A queda na qualidade do sêmen preocupa Hallak especialmente entre os mais jovens. Outro estudo já havia mostrado queda de testosterona em jovens associada ao estilo de vida.

O tema também aparece do lado dos tratamentos: um estudo recente questionou a eficácia de técnicas comuns usadas na fertilização in vitro.

O Dia Mundial da Fertilidade já havia chamado atenção para a importância do planejamento reprodutivo como forma de antecipar diagnósticos como o de Hallak.