A confirmação de petróleo na bacia da Foz do Amazonas colocou o Brasil no radar de petroleiras globais nesta semana, no maior evento do setor no país em mais de 40 anos. Chevron, Exxon e a portuguesa Galp disseram querer ampliar presença no país.
A Petrobras confirmou a descoberta de petróleo na região em agosto, no poço Morpho, que deve ser concluído em outubro. Segundo a estatal, o reservatório é mais raso que o pré-sal, mas de dimensão parecida à da bacia de Campos.
Nesta semana, um consórcio com Chevron e Exxon começou pesquisa sísmica em blocos a cerca de 130 quilômetros da descoberta da Petrobras, primeiro passo antes da perfuração de poços pioneiros.
"O Brasil sempre foi visto como um porto seguro", disse à Folha o vice-presidente de Exploração e Produção da Galp, Nuno Bastos. Para ele, a qualidade do óleo, a distância de conflitos e a estabilidade regulatória explicam o interesse do exterior.
O que trava o avanço da exploração?
O que trava o avanço são as incertezas regulatórias e ambientais. O Ibama autorizou a Petrobras a perfurar mais três poços na região, mas a liberação de novas licenças costuma levar meses e enfrentar contestação de ambientalistas.
Nem todo mundo comemora o avanço. A coordenadora da frente de Oceanos do Greenpeace Brasil, Mariana Andrade, faz coro às críticas de ambientalistas.
É risco sendo vendido como conquista. Não queremos petróleo na Amazônia.
afirma Mariana Andrade.
O Instituto Arayara e o WWF-Brasil também contestam os números do projeto. A Petrobras vai investir R$ 3,3 bilhões para perfurar 4 poços no Bloco 59, quantia que renderia R$ 25 bilhões se aplicada em eletrificação renovável, segundo os dois grupos.
A região da perfuração fica a menos de 40 km do Sistema de Recifes da Amazônia. Especialistas temem que um eventual vazamento atinja manguezais e áreas de pesca, dada a força das correntes marítimas locais.
A Petrobras vem de resultado financeiro forte: o lucro da estatal subiu 96,8% no 2º trimestre, para R$ 52,4 bilhões, o que financia parte da aposta na nova fronteira.
O que acontece agora
A Petrobras deve concluir a perfuração do poço Morpho em outubro. A perfuração de outros três poços já autorizados pelo Ibama, batizados Manga, Crotalus e Morpho Extensão, começa em janeiro de 2027.





























