O governo brasileiro diz que os Estados Unidos ainda não responderam a duas propostas de cooperação contra o crime organizado que Lula apresentou a Trump em maio, na Casa Branca. A cobrança dos EUA veio em determinação divulgada nesta quarta (16).

Segundo a determinação, assinada por Trump e enviada ao Congresso americano, o governo brasileiro falhou em confrontar o PCC e o Comando Vermelho, e as duas facções tornaram o país um polo do tráfico internacional.

O documento faz parte do relatório anual sobre os principais países de trânsito e produção de drogas dos Estados Unidos, mas o Brasil ficou fora dessa lista.

O governo do Brasil falhou em enfrentar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho, que transformaram o Brasil em um centro de distribuição global de cocaína.

A frase está na determinação presidencial americana, que classifica as duas organizações como ameaça crescente à paz e à segurança internacionais e cobra que o Brasil tome medidas mais firmes.

Enquanto isso, Brasília diz esperar retorno sobre as propostas que Lula levou pessoalmente a Trump durante reunião de cerca de três horas na Casa Branca. Uma delas prevê o fortalecimento da cooperação policial na Amazônia, com compartilhamento de dados entre países da região.

A estrutura foi criada em Manaus para reunir países amazônicos. A outra proposta trata de lavagem de dinheiro, inteligência compartilhada e combate ao tráfico de armas.

Como o Brasil diz que já enfrenta as facções?

O Brasil já age com a Lei Antifacção, de março, e o Programa Brasil contra o Crime Organizado, lançado em maio. Segundo o Ministério da Justiça, as duas iniciativas endurecem penas para líderes de facções e miram o caixa do crime organizado.

Em nota, o Ministério da Justiça negou falhas no combate às facções e informou que o país realizou dezenas de milhares de operações policiais no período, com bilhões de reais em prejuízo às facções, sem detalhar o valor exato.

A pasta avalia que a menção ao Brasil tem peso político-eleitoral, às vésperas da disputa presidencial nos Estados Unidos, e não decorre de uma reavaliação técnica da cooperação bilateral.

O governo Lula já havia se posicionado contra outra medida americana: a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras, decidida por Washington em 5 de junho.

Brasília argumenta que o enquadramento pode afetar questões internas e levantar risco à soberania nacional.

O que acontece agora

As duas propostas de Lula seguem sem resposta formal dos Estados Unidos, segundo o governo brasileiro. Washington já agiu de forma unilateral ao classificar as facções como terroristas, sem esperar pelo canal de cooperação bilateral aberto em maio.

Não há, na determinação divulgada nesta quarta, prazo para uma resposta às propostas brasileiras. O tema segue na relação entre os dois países junto com o tarifaço americano sobre produtos brasileiros, discutido no mesmo encontro de maio.