O jornal britânico Financial Times (FT) descreve a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, que vai às urnas neste domingo (4), como um fator que interessa ao governo de Donald Trump. O FT aponta vantagem estreita de Lula no primeiro turno.
Por que o resultado interessa a Trump?
Para o FT, o resultado interessa diretamente ao governo de Donald Trump. Uma vitória de Flávio Bolsonaro fortaleceria a estratégia americana de ampliar a influência na América Latina e aproximaria Brasília de Washington.
Lula, ao contrário, mantém política externa voltada aos Brics e ao Sul Global. A disputa também traz um possível segundo turno muito equilibrado, segundo o FT.
O texto do FT lembra que vários países sul-americanos elegeram governos de direita ou centro-direita nos últimos anos, movimento que uma eventual vitória de Flávio reforçaria na região.
A proximidade entre o governo americano e aliados de Bolsonaro já gerou desdobramentos no Brasil: o STF avalia uma suspeita de interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral.
O que defende cada candidato?
Na campanha, Lula apresenta a eleição como escolha em torno da democracia. Ele destaca os programas sociais, a redução do desmatamento e uma política externa independente como marcas do governo.
Flávio Bolsonaro concentra a plataforma na redução dos gastos públicos, no combate ao crime e em maior cooperação com os Estados Unidos contra o tráfico de drogas.
Ele defende também, no Congresso, uma anistia para os condenados pela tentativa de golpe, incluindo o pai, Jair Bolsonaro.
Lula conserva parte do eleitorado pela lembrança da redução da pobreza em mandatos anteriores, mas enfrenta desconfiança em relação ao PT.
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Flávio chega à disputa sob desgaste, com controvérsias envolvendo sua relação com um banqueiro ligado a um grande escândalo de corrupção.
Por que o segundo turno é imprevisível?
O FT destaca que os dois candidatos têm índices elevados de rejeição, o que torna o resultado de um eventual segundo turno particularmente incerto. Mercados de previsão, proibidos no Brasil, atribuíam a Flávio cerca de 60% de chance de vitória.
Uma pesquisa recente mostrou Lula e Flávio tecnicamente empatados na corrida, cenário que o FT descreve como o mais equilibrado desde 2022.
Os dois candidatos chegam à eleição mais rejeitados do que aprovados, o que deixa o resultado do primeiro turno mais difícil de prever do que em disputas anteriores.
A disputa também é marcada por acusações de interferência judicial: Flávio afirma que decisões da Justiça favorecem Lula e o PT. O FT cita ainda o cancelamento do debate presidencial da Globo depois de decisões judiciais de última hora.
































