Veículos regionais de imprensa enfrentam ameaças, agressões e decisões judiciais após publicarem reportagens sobre candidatos nas eleições de 2026. Os casos mais recentes envolvem o Tapajós de Fato, no Pará, e o Mídia Caeté, em Alagoas, segundo levantamento publicado pela Folha.
No Pará, o Tapajós de Fato suspendeu a cobertura eleitoral. A Abraji informa que a equipe relatou episódios de violência desde 2021, incluindo pneus rasgados, ameaças e um ataque em que uma jornalista foi esfaqueada a cerca de 30 metros da redação.
Segundo a Folha, o veículo já havia desistido de uma cobertura eleitoral em 2024. Agora, a interrupção atinge a eleição de 2026 em uma região onde o portal é reconhecido por reportagens sobre a Amazônia.
"Um cenário em que jornalistas desistem de cobrir um tema relevante por medo de perder a própria vida representa uma derrota para qualquer democracia", afirmou Ana Carolina Moreno, presidente da Abraji.
A Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Abraji classificaram as pressões locais como violações ao exercício do jornalismo. O efeito prático é menos informação local justamente no período em que o eleitor precisa comparar candidatos.
O que aconteceu em Alagoas?
Em Alagoas, o Mídia Caeté foi obrigado pela Justiça Eleitoral a retirar uma reportagem sobre suposta oferta de dinheiro a estudantes para comparecerem a evento político. A decisão também impôs multa diária de R$ 5.000 em caso de descumprimento.
O caso envolve menções ao deputado federal Rafael Brito (MDB-AL), em pré-campanha à reeleição. A Folha afirma que a reportagem tratava de mensagens enviadas a alunos de uma escola pública.
A decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL), reproduzida em base jurídica pública, determinou a retirada de URLs em 24 horas e proibiu republicação de conteúdo substancialmente idêntico. O limite indicado para a multa diária era de R$ 50 mil.
O mesmo registro judicial afirma que o diretor da escola disse que Rafael Brito não participou da oferta de dinheiro nem do convite aos estudantes. Essa versão foi usada na fundamentação para a remoção, segundo a decisão.
Por que os casos preocupam?
Os casos preocupam porque mostram dois tipos de pressão sobre veículos pequenos: violência física e disputa judicial com risco financeiro. No primeiro, jornalistas deixam de cobrir por medo. No segundo, uma redação local enfrenta retirada de conteúdo e multa.
Para entidades de imprensa, esse ambiente reduz a capacidade de fiscalização justamente fora das capitais, onde veículos regionais costumam ser a principal fonte de informação sobre candidatos, escolas, prefeituras e campanhas locais.
O ponto comum é a fragilidade operacional. Portais regionais têm equipes pequenas, dependem de poucos repórteres e sofrem mais quando uma ameaça tira profissionais de campo ou quando uma decisão judicial exige defesa rápida.
O que acontece agora
O que acontece agora depende de proteção institucional e de recursos judiciais em cada caso. A Abraji repudiou os ataques ao Tapajós de Fato e pediu atenção das autoridades às ameaças contra jornalistas.
Em Alagoas, o debate segue no campo jurídico, com a reportagem removida e a multa fixada na decisão. Sem links internos pertinentes no acervo, esta matéria fica concentrada nos dois episódios documentados por Folha, Abraji e TRE-AL.





























