Aliados do presidente Lula (PT) classificaram como censura a decisão do ministro do TSE André Mendonça, que mandou retirar do ar publicações sobre uma fake news envolvendo Flávio Bolsonaro (PL) e Nossa Senhora Aparecida. A crítica partiu neste sábado (26).

As críticas partiram do ministro José Guimarães (PT), do deputado Chico Alencar (Psol-RJ) e do candidato Marcelo Freixo (PT-RJ). A decisão foi tomada na sexta-feira (25) e ampliou o mesmo caso em que Flávio pediu a prisão de um funcionário do Planalto.

Mendonça mandou X, Facebook, Instagram, TikTok e YouTube tirarem do ar mais de 1.000 links. O ministro classificou a informação como "notoriamente inverídica" e fixou multa diária de R$ 50 mil por provedor que descumprir a ordem, segundo o TSE.

O que os aliados de Lula disseram?

Guimarães, Freixo e Chico Alencar usaram a palavra "censura" para descrever os efeitos da decisão sobre perfis ligados à esquerda.

A ordem alcançou publicações da deputada Erika Hilton (Psol-SP), do deputado Rogério Correia (PT-MG), do deputado Ivan Valente (Psol-SP), do teólogo Leonardo Boff, do ex-deputado Jean Wyllys e de perfis do MST.

Guimarães escreveu no X que impedir católicos de manifestar devoção seria "um triste capítulo de censura" e afirmou: "Ninguém vai nos calar". Chico Alencar disse que Mendonça "concordou com o pedido e censurou a publicação" e chamou o episódio de "escândalo".

O meu vídeo não tinha qualquer ofensa, fake news, não cometia nenhum tipo de crime. Por que então foi retirado do ar, assim como tantos outros conteúdos, arbitrariamente e sem nenhuma justificativa? Para favorecer um candidato?

A frase é de Freixo, que também comparou a decisão de Mendonça à conduta do ministro como relator do caso do Banco Master, alvo de críticas anteriores de Lula.

Como surgiu o boato sobre a padroeira?

A fake news atribui a Flávio um suposto plano de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.

A campanha do candidato identificou 29 perfis como disseminadores e associa a origem ao perfil "Dilma Bolada", que publicou o primeiro post na quarta-feira (23).

A informação ganhou força depois que a GloboNews comentou o boato em um programa e depois pediu desculpas pelo erro. Levantamento da campanha de Flávio identificou 2.086 publicações de 1.674 contas, com mais de 21 milhões de visualizações.

Um projeto para alterar o título de padroeira existiu.

Foi apresentado em 2007 pelo então deputado Victório Galli e arquivado em 2008, sem relação com Flávio.